A Comissão Especial de Vereadores criada pela Câmara Municipal, em junho, para acompanhar e fiscalizar as obras de construção do viaduto da avenida Major Nicácio cobrará explicações da Prefeitura pelas falhas no projeto que vão retardar e deixar mais caros os serviços. Profissionais envolvidos serão convocados para prestar depoimento. Se as irregularidades ficarem constatadas, os parlamentares vão denunciar o caso ao Ministério Público. A decisão, anunciada após a sessão de ontem, foi motivada por matéria publicada pelo Comércio da Franca no último domingo.
A reportagem informou que o prazo de seis meses estipulado em contrato para a conclusão, que venceria no fim de novembro, não será cumprido. O projeto original prevê a ampliação do leito do Córrego Cubatão apenas no trecho sob a nova ponte, que será construída debaixo do viaduto, o que não evitaria os frequentes alagamentos nas proximidades. Será preciso fazer a intervenção num trecho de 140 metros entre o Fórum e o cruzamento com a Avenida Sete de Setembro. O serviço extra atrasará a inauguração em cerca de dois meses, além de encarecer a obra em torno de R$ 2,3 milhões aos cofres públicos. O viaduto, que havia sido orçado em R$ 9,3 milhões, passaria a custar R$ 11,6 milhões. A Prefeitura avalia se fará nova licitação ou um aditamento.
O problema verificado na polêmica obra foi criticado pelos vereadores. Terminada a sessão, os integrantes da Comissão, Marcelo Valim (PSDB), Oscar Mércuri (PP) e Josilvaldo Bahia (PTB), se reuniram e decidiram convocar os engenheiros da Prefeitura, Eri Pereira dos Santos e Marco Franceschi e a ex-secretária de Urbanismo, Valéria Marson, responsável pelo projeto, para se explicarem. “Quando chove, todo mundo sabe que inunda tudo ali. Queremos saber porque o serviço necessário não foi previsto junto com o viaduto para fazer tudo de uma vez. Está claro que houve falha no projeto. Queremos saber o que aconteceu e porque aconteceu isto”, afirmou Valim.
Os depoimentos foram marcados para a próxima segunda-feira. Após ouvir as alegações, a Comissão de Vereadores vai elaborar um relatório e encaminhar para apreciação do Ministério Público. “Temos que averiguar, pois é muito dinheiro envolvido. Não temos o poder de punir, mas a Promotoria pode agir”, completou o vereador.