O administrador de fazenda Paulo Sérgio Bernardes, 37, que morava no Sítio São Sebastião, às margens do quilômetro oito da rodovia João Traficante, entre Franca e Ibiraci (MG), foi assaltado em sua residência, sequestrado, executado e carbonizado na estrada de terra dos Andrades, entre Claraval (MG) e Cristais Paulista. O bárbaro crime aconteceu entre a noite de domingo e a madrugada de ontem. Dois inquéritos foram abertos pela Polícia Civil. Um por roubo e sequestro em São Paulo, e outro por homicídio em Minas Gerais, onde o corpo foi abandonado. A família suspeita que o crime tenha sido um acerto de contas (leia texto nesta página).
Segundo familiares, Bernardes saiu de casa na picape Pampa de seu patrão, por volta das 21h30 de domingo, para buscar sua filha na casa de uma irmã. Com ele também estava sua mulher, a dona de casa SOB, 38. Segundo a irmã do administrador Luciana Alves Bernardes, no retorno para o sítio, a família foi rendida ainda na porteira, próximo a um cafezal, por três homens armados. Segundo informações colhidas pela Polícia Militar, os assaltantes teriam chegado em um veículo Santana.
“A menina (filha de Paulo) desceu para abrir as porteiras, perto dos cafés, hora que ela voltou para trás os bandidos já estavam lá com os revólveres na cabeça dele”, disse Luciana. Os três foram amarrados e levados para um sítio vizinho, onde o caseiro RCB, 36, também foi rendido. Os bandidos arrombaram a porta. Eles trancaram as vítimas no banheiro da casa do caseiro e deixaram apenas o administrador fora. “(O assaltante) falou bem claro com o moço (caseiro) da outra casa: ‘O acerto de contas não é com você, é com o Paulo. Nós só vamos pegar seu carro para fugir. E o Paulo vai te trazer de volta (o carro)’”, disse a Luciana. Bernardes foi colocado no porta-malas do Astra GL preto e os ladrões saíram por volta de 1h30. Segundo apurado no local, mais nada foi levado.
Uma testemunha, que não foi identificada, disse à PM que viu dois carros irem rumo ao Paiolzinho. Agentes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) iniciavam o trabalho de investigação quando receberam a notícia do encontro do corpo. O motorista de ambulância de Claraval Valmir Teodoro Cintra, que passava pela estrada dos Andrades para buscar um paciente por volta das 4h30, deu de cara com o Astra e o corpo de Bernardes incendiados, e acionou a polícia. “Hora que eu passei, o fogo no carro já estava apagando. Ele (o administrador) ainda estava chamuscando no chão.” Bernardes estava a alguns metros do carro, caído, já sem vida. Marcas de pneu na terra mostravam que um veículo retornou sentido Cristais.
Foi constatado preliminarmente no local, de acordo com o delegado titular da DIG, Daniel Radaeli, que o corpo apresentava uma marca de tiro. “Não podemos afirmar nada agora, nem divulgar nada a respeito dos fatos, senão atrapalharia as investigações. A necropsia a ser realizada no IML de Passos (MG) vai nos dar um subsídio para saber qual tipo de marcas de violência, lesões ou até tiro existem no cadáver. Segundo consta, teria um projétil alojado”, disse Radaeli.
A Polícia Civil de Minas Gerais não tinha mais informações até a tarde de ontem. O corpo de Bernardes está sendo velado no Municipal de Pedregulho, e será sepultado hoje na mesma cidade, com serviços da Funerária Santa Bárbara.
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