10 de julho de 2026

Falha deixa viaduto da Major Nicácio R$ 2,3 mi mais caro


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Prefeitura pretendia entregar viaduto entre as avenidas Major Nicácio e Alonso y Alonso no próximo dia 27, véspera do aniversário de Franca, mas inauguração ficou para o ano que vem

A Prefeitura esperava entregar o viaduto da avenida Major Nicácio no dia 27, véspera do aniversário de Franca. A cidade vai ficar sem o presente. O prazo estipulado em contrato para a conclusão não será cumprido. Os serviços vão se arrastar até o começo do ano que vem e a inauguração completa não acontecerá em menos de dois meses. É possível que haja apenas a liberação parcial de uma das pistas em meados de dezembro. O motivo do atraso é uma falha no projeto. As enchentes que ocorrem no local não foram levadas em consideração. A correção deixará a obra mais cara em torno de R$ 2,3 milhões. O investimento inicial havia sido fixado em R$ 9,3 milhões.

O viaduto começou a ser construído em junho. De acordo com as regras da concorrência pública vencida pela Leão Engenharia, deveria ser entregue em seis meses. Durante a solenidade de emissão da ordem de serviço, o proprietário da empresa, Carlos Alberto Ferreira Leão, afirmou ao Comércio que, se não houvesse imprevistos, eles não teriam problema nenhum em executar a obra dentro do prazo.

Uma ocorrência previsível fará com que a entrega não ocorra conforme o esperado. O projeto original, que está em execução, prevê a ampliação da calha do Córrego Cubatão apenas no trecho sob a nova ponte, que será construída debaixo do viaduto, o que não evitaria os frequentes alagamentos nas proximidades.

Técnicos da Prefeitura estão analisando a possibilidade de fazer alterações no projeto para alargar e aprofundar o leito num trecho de 140 metros, além de melhorar a drenagem para evitar enchentes e, também, críticas à polêmica e milionária obra. Em janeiro, 40 minutos de chuva foram suficientes para alagar parte do Fórum e do Uni-Facef. “Esta obra não estava prevista no projeto e achamos por bem deixar pronto para evitar problemas. Teremos de fazer um aditamento de serviço e de prazos. É possível que esta parte demore uns dois meses para ficar pronta”, disse Eri Pereira dos Santos, engenheiro da Prefeitura que faz o acompanhamento da obra.

A Leão Engenharia também admitiu que a necessidade de se alterar o projeto provocou atraso no cronograma das obras. Por causa dos serviços que precisam ser feitos, a nova ponte que será erguida sobre o córrego ainda não começou a ser construída e os serviços no local estão suspensos para evitar perdas. Funcionários seguem trabalhando apenas sobre o viaduto e na colocação da terra armada. “O negócio, realmente, é a questão do alagamento. Será feito algo a mais para evitar problemas naquele trecho. A Prefeitura ainda está fazendo um estudo. Até quinta-feira, teremos uma decisão sobre os serviços que precisarão ser feitos”, disse o engenheiro da empresa, Delson Ananias da Cunha.

PREJUÍZO
O professor de engenharia (Unesp Bauru e Unicamp) e especialista em obra pública Cláudio Vidrih Ferreira afirma que mudanças de projeto na fase final, além de trazer uma decepção à população e privá-la de uso imediato daquele bem, acarreta prejuízos financeiros ao poder público custeado pela sociedade. “Entendo que os engenheiros deveriam ter analisado todas as possibilidades antes de projetar o viaduto. Essa imprevisão vai causar prejuízos à sociedade, tanto pelo seu atraso quanto pelo aditivo contratual que envolverá muito mais recursos do município.”