08 de julho de 2026

A alegria do cristão


| Tempo de leitura: 5 min

Domingo, dia do Senhor. Hoje os cristãos se reúnem para louvar a Deus e encontrar Nele, o sentido de cada dia da vida

Hoje, a Palavra de Deus vem ensinar que o cristão é sustentado por uma força extraordinária que vem do próprio Deus. Essa força interior não o entristece para sempre quando “o céu escurece, a lua deixa de brilhar e o sol desaparece”. O cristão sabe que não está sozinho. Vejamos os ensinamentos da Palavra de Deus.

PRIMEIRA LEITURA — DANIEL 12
Apocalíptico é um escrito no qual os ensinamentos são transmitidos através de imagens misteriosas. A primeira leitura e o evangelho de hoje usam linguagem apocalíptica. Falam do sol que escurece, das estrelas que caem, dos anjos que convocam os eleitos dos quatro cantos do mundo, do filho do homem que vem sobre as nuvens do céu, do arcanjo Miguel, do tempo da grande aflição, da ressurreição dos mortos. É preciso prestar muita atenção.
Servindo-se de imagens misteriosas, compreensíveis só por seus destinatários, os autores apocalípticos anunciam uma mensagem de esperança: a maldade, a injustiça, a perseguição – revelam – estão chegando ao fim e um reino de justiça e paz está para surgir. Chegou, sim, o fim do mundo, mas não se trata da destruição da Terra, da humanidade, dos seres materiais; o que está para ceder o seu lugar ao Reino de Deus é o mundo dominado pelos malvados, pelos violentos, pelos injustos.
O livro de Daniel foi composto num desses períodos trágicos. As palavras de esperança contidas nessa leitura não foram pronunciadas só para os judeus que viveram no tempo do rei Antíoco; são válidas também para todos aqueles que se encontram em situações semelhantes. Não fomos também nós atingidos pela dúvida de que todos os nossos sacrifícios talvez sejam inúteis porque no mundo nada jamais mudará?
A leitura nos ensina que nenhum sacrifício será vão. Nenhuma lágrima, nenhuma dor, nenhum sofrimento se perderá. A nossa fidelidade acelera o alvorecer do mundo novo e nós também participaremos da felicidade do Reino de Deus, porque nem tudo acaba com esta existência.

SEGUNDA LEITURA — HEBREUS 10
É possível que, por causa da educação recebida, muitos cristãos vivam oprimidos pela angústia dos pecados e medo dos castigos de Deus.Para liberta-se, inventaram infinidade de ritos: banhos em rios sagrados, aspersões com água, com o sangue de animais ou com outras essências. Israel herdou muitas dessas práticas das tradições dos seus antepassados.
Alcançavam o objetivo? A leitura responde: não! A purificação não podia ser atingida porque sangue de animais não pode purificar o coração do homem.
Só o sacrifício de Cristo tem o poder de comunicar essa purificação. Oferecido uma vez para sempre, ele libertou, de fato, os homens dos seus pecados. Por que, então, o pecado continua presente não só entre os pagãos, mas também entre os membros das comunidades cristãs? O porque está na Carta dos Hebreus: embora a sorte de todos os inimigos do bem já esteja selada, eles ainda não foram colocados debaixo dos pés de Cristo.

EVANGELHO — MARCOS 13
Na época em que Marcos escreve, as comunidades cristãs estão agitadas e assustadas por causa de guerras, de calamidades e de crises. Para tranquilizar os cristãos ele lembra o conselho do Mestre para não deixar-se enganar com discursos insensatos; não deve haver preocupação alguma quanto à data do fim do mundo; o verdadeiro problema é outro: trata-se de saber como é que devem viver os discípulos hoje. Jesus adverte para não dar ouvidos a exaltados que, de tempos em tempos aparecem citando desastradamente frases da Bíblia e anuncindo o fim do mundo.
Ensina-nos, em seguida, a difundirmos sempre o otimismo ao redor de nós. O cristão não desconhece os problemas e os dramas no meio dos quais os homens se debatem, mas não os interpreta como sinais de morte; os vê como as dores do parto que prenunciam o nascimento de uma nova vida. Num mundo ainda impregnado de tanto ódio, dores e lágrimas, nossas comunidades devem ser sinais de esperança e fontes de amor, de alegria, de paz.
A segunda parte do evangelho responde à pergunta que, ouvindo as palavras de Jesus, nós também nos teríamos colocado, quase com certeza: é reconfortante o anúncio de que o reino do mal está chegando ao fim e que o Filho do Homem reunirá os eleitos no seu reino, mas “quando” acontecerá isso? A resposta nos é dada através da imagem da figueira. Esta árvore é a última que solta as folhas: o agricultor sabe que o verão está chegando e se alegra porque se aproxima a época de abundantes colheitas. Só o Pai e mais ninguém sabe o dia e a hora em que o Reino de Deus atingirá o seu pleno cumprimento; entretanto há alguns sinais que mostram que o momento decisivo se aproxima. Jesus convida todas as pessoas que sofrem porque amam a verdade, a paz, a justiça, a liberdade a não desanimar.
Diante das alegrias e dos infortúnios, como é possível distinguir o cristão do pagão? É simples: o discípulo de Cristo levanta a cabeça e em cada acontecimento sabe descobrir um sinal do Filho do Homem que está se aproximando. O pagão abaixa seu olhar e se deixa dominar pelo desespero. Na época atual também poderíamos sentir-nos abalados defronte dos cataclismos políticos, econômicos e sociais que se registram em quase todas as partes. Alguns se resignam, outros se revoltam, outros desanimam e julgam ter chegado o fim de tudo, até mesmo da fé.
Quem assume essa atitude pessimista, quem enxerga exclusivamente ruínas e desastres, não está observando os acontecimentos com o olhar de Deus. É desalentador: como aquele que não entende que, quanto mais rigoroso for o inverno, mais rica de frutos será a nova estação.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br