08 de julho de 2026

A morte não mata


| Tempo de leitura: 2 min

Visto que somos sete bilhões de seres humanos a nos acotovelar no solo planetário e, não obstante extinga-se-nos o corpo, obviamente, apenas uma vez, a morte, todavia, tornou-se tão popular que de há muito deixou de ser surpreendente. Acresce-se que aumenta cada vez mais a parcela dos humanos que detém a consoladora certeza de que, se amamos, continuamos juntos. Parece que a espiritualização das consciências relativamente à sobrevivência do espírito vem proporcionando tal consolo aos sobreviventes que, de hoje em dia, raramente se vê alguém chorar desesperadamente pelo que poderia pensar tratar-se de perda.

Vê-se que não há por que tratarmos a morte como um fenômeno, posto que fenômeno, por definição, é algo que ocorre raramente. Como ninguém fica para semente, como diz o adágio popular, desde que o homem está na Terra, a morte tem sido sua companheira. Entretanto, no corre-corre da existência, atrás da realização dos nossos interesses, comumente nos esquecemos da certeza da morte, mas, por razões providenciais: estivéssemos preocupados com a morte e nada realizaríamos na vida.

É bom que estejamos aprendendo a aceitar a realidade da morte. Aqueles que a negam, voltados para as coisas da matéria, como se se eternizassem no corpo, atrasam o progresso moral do seu espírito, demorando-se na infelicidade, sem admitir o céu dentro de si mesmo. Conquanto, pela eternidade que o caracteriza, o que valha é o espírito que somos, é a experiência temporária no corpo que nos alavanca o progresso no rumo da redenção efetiva, obrigando-nos a mantê-lo saudável, por todos os meios ao nosso alcance.

A propósito da morte, Emmanuel, o sábio mentor espiritual do médium Chico Xavier, afirmou: “A morte não mata ninguém. Muda de endereço.” E aqui, cumpre-nos entender endereço como dimensão.

Enquanto encarnados, permanecemos na dimensão material; desencarnados, na dimensão do espírito. Contudo, tais dimensões se interpenetram, e a nossa natureza espiritual nos garante a consoladora comunicabilidade.

Levantando o véu que encobria o mundo espiritual, o Espiritismo veio mostrar que o espírito é imortal. Temporariamente na matéria, cumpre o objetivo de se redimir perante as Leis sábias e justas que governam a Vida e que destinam os elementos atômicos do corpo desfeito à composição divina e útil de outros corpos que, na Natureza, seguem cumprindo o supremo desiderato do progresso. Retornando o espírito à dimensão que lhe é própria, onde afeições o aguardam e o recepcionam, ali continuará cumprindo o processo de aprendizado evolutivo.

Como apenas o corpo morre e o espírito continua vivo, termos apropriados e cunhados pelo codificador do Espiritismo, Allan Kardec, designam, ao invés de morte, desencarnação, portanto o retorno do espírito à vida material designa-se reencarnação.

Daí lembrarmos Paulo, o apóstolo da gentilidade que, em espírito, afirmou que o “Espiritismo feriu de morte a própria morte.”

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca