Se os pousos eram pontos de parada, abastecimento e descanso para os viandantes que transitavam pela Estrada dos Goiases, os arraiais caracterizavam-se como locais de permanência, moradia e convergência social e religiosa para os habitantes do sertão.
Os pousos localizavam-se nas baixadas, nas beiras dos córregos cujas águas saciavam a sede dos animais e facilitavam a vida e a higiene dos homens. Os arraiais, ao contrário, situavam-se nas regiões mais altas e planas, arejadas e livres de imundicies, próprias para a ereção de uma Capela e para a implantação do cemitério. Os arraiais, verdadeiros embriões das cidades, serviriam como sede das instituições político-administrativas e religiosas. É neles que funcionariam as Freguesias, os Vigários e as Câmaras das Vilas.
Em 1805, em Franca, a atual Praça Nossa Senhora da Conceição não passava de uma parte do cerrado da Fazenda Santa Bárbara, pertencente aos irmãos Antunes de Almeida, filhos do Capitão Manuel de Almeida, cobrador dos direitos de passagem no rio Sapucaí por delegação da Real Fazenda.
Em dezembro de 1805, O Padre Joaquim Martins Rodrigues, mineiro de Congonhas do Campo, benzia os terrenos para a construção da Igreja e do cemitério exatamente onde se encontra atualmente a Fonte Luminosa. Martins Rodrigues seria o primeiro Vigário da nova Freguesia cuja sede acabou sendo transferida do arraial de Caconde ( onde havia a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Descoberto do Rio Pardo ) para o nascente arraial da Franca. Portanto, Franca não chegou a ser Capela, já nasceu Freguesia, pertencente ao Bispado de São Paulo cujo Bispo, à época, era D. Mateus de Abreu Pereira.
Em torno da igreja começaram a ser construídas as casas de morada que passavam a ser habitadas por ocasião das festas religiosas. O arraial, acanhado e pequeno, nada mais era do que uma “ boca de sertão”. Porém, teve um papel muito importante no desbravamento e povoamento do oeste de São Paulo, Norte do Paraná e Sul do Mato Grosso.
Somente com a chegada da lavoura cafeeira, o arraial sertanejo transforma-se num centro urbano importante para o desenvolvimento da nova economia que se implantava.
Depois de Caconde, nas nascentes do rio Pardo, região de extração de ouro, Franca foi o mais antigo e importante arraial da Capitania de São Paulo. Tornou-se a sede da Freguesia da Franca, Sertão do Rio Pardo e, pouco depois, da Vila Franca do Imperador.