09 de julho de 2026

Crescem casos de tráfico e roubo cometidos por adolescentes


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O promotor da Infância e Juventude, Augusto Soares de Arruda Neto, diz que família precisa estar ‘envolvida’ para preservar menores da criminalidade

A polícia tem registrado cada vez mais ocorrências de tráfico e roubo envolvendo adolescentes em Franca. Segundo dados da Promotoria da Infância e Juventude, entre janeiro e outubro deste ano, foram registrados 118 casos de assaltos e venda de entorpecentes, com um ou mais menores de idade envolvidos. O número já é 13,5% maior que o do mesmo período do ano passado e preocupa as autoridades. Segundo o Conselho Tutelar de Franca, três ocorrências são atendidas todos os dias na cidade com menores envolvidos em infrações.

De acordo com o promotor da Vara da Infância e Juventude, Augusto Soares de Arruda Neto, em dez meses deste ano, foram 81 casos de tráfico de drogas e 37 assaltos com adolescentes sendo detidos pela polícia. Em 2011, foram 72 vendas de entorpecentes e 30 roubos computados. “Quando há o roubo também há a ligação com o tráfico de drogas. Nós aplicamos as medidas de internação. O adolescente fica isolado do seu meio, vai para a Fundação Casa, podendo ser até três anos. Mas o importante disso tudo é a prevenção. Evitar o uso da droga”, disse Arruda Neto.

Segundo a assessoria de imprensa da Fundação Casa, as três unidades de Franca, de semiliberdade e internação, têm atualmente 105 garotos atendidos, sendo 85 internados. Ainda segundo a assessoria, a instituição trabalha hoje no seu limite de vagas.

Um adolescente de 15 anos, do Jardim Cambuí, foi pego em flagrante pela Polícia Militar na quarta-feira da semana passada, acusado de traficar em um bar próximo a sua residência, e entrou para as estatísticas deste ano. Segundo a polícia e o Conselho Tutelar, ele era suspeito de ter envolvimento em furtos, ser viciado, autor de depredações e invasões a uma escola do Jardim Cambuí, além de ser acusado de ser líder de gangue, agressivo e sem nenhuma educação. Agora está internado na Fundação Casa e os vizinhos do bairro comemoraram.

“Geralmente são jovens imaturos, que estão procurando poder, fama. Na questão do roubo, às vezes, é para comprar roupas, para ter uma sensação de prazer com esse dinheiro. É a presença, a conquista, liderança, que trazem efeitos negativos”, assim o promotor traçou o perfil psicológico dos adolescentes que entram no crime. “Mas não podemos, com 15 anos, condená-los para a vida inteira. É preciso dar oportunidade”, completou.

Com as medidas sócio-educativas, no caso de internação, os adolescentes podem ficar, no mínimo, sete meses e meio na instituição. “É difícil um adolescente ficar tão pouco tempo assim. Geralmente, são dez meses. A família é trabalhada, envolvida, orientada. Esse trabalho é essencial, a família tem que estar próxima do adolescente”, finalizou Arruda Neto.