Os recentes confrontos entre a Polícia Militar e jovens que frequentam os postos de combustíveis e as ruas do Distrito Industrial, “point” de encontro dos jovens francanos, fizeram a PM reforçar o policiamento na região desde a última sexta-feira. Viaturas do setor de trânsito e da Força Tática monitoraram as principais avenidas de acesso - Wilson Sábio de Melo e Severino Tostes Meirelles -, através de comandos. Os jovens que lotavam os postos no bairro São Joaquim na noite de sexta se dispersaram com a chegada dos policiais (leia texto nesta página).
Segundo levantamento baseado em publicações do Comércio, pelo menos uma ocorrência de confronto dos adolescentes e jovens com a PM ou agressões foram registradas em cada final de semana do último mês. As confusões ocorreram nas principais avenidas do Distrito ou na rua Vicente Richinho, corredor onde estão localizadas duas boates. Os jovens, segundo a polícia, se armam com pedras, garrafas e pedaços de pau e tentam atingir os militares e seus veículos. Em algumas ocasiões, foi necessário o uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar as aglomerações. Ninguém foi preso.
No último episódio, na madrugada do dia 2 deste mês, quem experimentou a fúria dos jovens foi o taxista WMS, 43, do bairro Quinta do Café, que teve seu carro, uma Palio Weekend cinza, depredado. O taxista foi arrancado do interior do carro à força e agredido com pedaços de pau por dezenas de jovens na rua Vicente Richinho, próximo à boate Club Lottus. A polícia deteve 13 suspeitos de envolvimento na confusão, mas ninguém ficou preso.
O sócio-proprietário da Lottus e promoter Milton Alves Silva, 41, o Miltinho, morador no Jardim Ângela Rosa, viu a agressão. Seguranças do estabelecimento deram abrigo para a vítima. “Eles agrediram o taxista em frente à transportadora, ao lado da Lottus. Esse é o fato. Não foi com o público que frequenta a boate ou frequenta a rua”, disse Miltinho.
Apesar de ter sido testemunha da violência, o empresário disse não estar preocupado. “Não é novidade vermos confronto com a polícia, essas badernas, mas são nas ruas próximas, ou na avenida [Wilson Sábio de Melo]. É encontro de jovens, coisa que não tem nada a ver com a minha casa (...) Não nos preocupamos com isso, nos preocupamos com nossa casa, com nosso público”, finalizou.
COMANDOS
No fim da noite de sexta-feira, mais de dez viaturas se dirigiram aos postos localizados na entrada do Distrito Industrial. Dois comandos da Operação Direção Segura, com fiscalização de veículos e realização de testes com bafômetro, foram montados. O policiamento intensivo da região se estenderia até a madrugada de sábado e voltaria na madrugada de hoje, segundo o major Marcelo Trevisan, coordenador do 15º Batalhão da Polícia Militar do Interior.
Segundo o policial, a questão dos confrontos é cultural. “É falta de educação, falta de saber viver em sociedade, falta de orientações dos pais. A polícia vai simplesmente ao local para resolver um problema. Se há o problema, a polícia simplesmente se defende”, completou.