08 de julho de 2026

Corações generosos


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Neste domingo Deus mostra a cada um de nós a importância de praticar atitudes generosas que expressam o que trazemos dentro do nosso coração

Muitas vezes somos tentados a pensar muito no futuro e isso amedronta-nos, desperta um sorrateiro egoísmo dentro de nós. Os habitantes de Canaã adoravam Baal, o deus que enviava a chuva e dava fertilidade à terra. No tempo de Elias quase todo o povo foi vítima das seduções deste deus e a apostasia foi geral. Qual foi, porém, o resultado? Eis a surpresa: em vez das esperadas chuvas houve uma seca prolongada e em lugar da abundância de alimentos, a carestia.

PRIMEIRA LEITURA — 1º LIVRO REIS 17
Os ídolos são todos assim: prometem muito, mas com toda a pontualidade desiludem os que lhes prestam culto. Diante da falta de chuva e das calamidades que atingiam o povo, o rei Acab convocou os adivinhos e lhes pediu para fazer seus sortilégios a fim de descobrir os responsáveis. O culpado foi imediatamente identificado: Elias. “É ele disseram os bruxos o autor da maldição.” Foi ele que ameaçou com o castigo e que prometeu que durante três anos não teria caído uma gota de água nas terras de Israel. O rei deu ordens para localizar o profeta e condená-lo à morte.
Para se livrar da ira de Acab, o profeta foge. Certo dia chega à cidade de Sarepta onde encontra uma viúva, à qual restou só um punhado de farinha e um pouco de azeite. Conhecendo sua situação desesperadora, o profeta lhe pede só um pouco de água e em seguida, enquanto a mulher se afasta, grita para ela: “Traze-me também um pedaço de pão!”
Parece não sentir coragem de pedir tudo o que deseja, pois sabe que é o único alimento que a ela restou. A viúva acredita nas palavras do profeta, oferece-lhe tudo o que tem e Deus abençoa a sua generosidade: proporciona-lhe alimento, para ela e para o filho, durante todo o período da seca.
Dessa narrativa podemos extrair alguns ensinamentos, inicialmente a compaixão de Deus pelos pobres. E o segundo ensinamento está em que Deus abençoa os que partilham seus próprios bens.
A tendência arraigada do coração do homem não é a de distribuir, mas a de acumular riqueza para usá-la às suas satisfações egoístas. A Palavra de Deus propõe o desapego, não porque os bens materiais sejam ruins, mas porque só quando são partilhados, quando são colocados à disposição de todos, é que realizam o objetivo pelo qual foram criados.

SEGUNDA LEITURA — HEBREUS 9
Quando falamos de “sacerdote” nós logo pensamos naquele que nas nossas comunidades preside à celebração da Eucaristia e administra o sacramento da reconciliação. Se lermos, porém, o Novo Testamento, verificaremos que antes do que aos padres, este título se refere a Cristo e a todos os cristãos que juntos com ele oferecem a Deus sacrifícios espirituais.
Os sacerdotes antigos nos diz a leitura ofereciam seus sacrifícios num templo material, construído de pedras. Cristo, ao contrário, cumpre o seu ministério no céu, num santuário não construído pelas mãos do homem.
Para que servia o sacerdócio da Antiga Aliança? Para purificar o povo dos seus pecados. Jesus, ao invés, ofereceu um só e perfeito sacrifício, não derramou o sangue dos animais, mas doou o seu próprio, e, com o seu gesto de amor, destruiu definitivamente o pecado.

EVANGELHO — MARCOS 12
O Evangelho de hoje se divide em duas partes. Comecemos pela severa condenação de Jesus contra os escribas. Quem eram estes senhores? Eram os que interpretavam com autoridade a lei de Deus e julgavam nos tribunais os que não a cumpriam. Os escribas não podiam ser saudados com um simples, mas sincero bom-dia. Era preciso inclinar-se, beijar-lhe a mão e permanecer num, silêncio obsequioso todas as vezes que eles abrissem a boca, mesmo que fosse só para respirar.
O Mestre não tolerava essas ridículas “encenações”. De que forma ele tratava essa “doença” dos escribas? Como cada um de nós deveria fazer quando tais manias surgissem entre os membros das nossas comunidades: não tinha por eles qualquer consideração especial, preferia a amizade dos pecadores e dos marginalizados, não se aproveitava do apadrinhamento e do apoio deles.
Não era só o pecado de vaidade que Jesus condenava nos escribas. Eles cometiam um pecado mais grave ainda: “dilapidavam as casas das viúvas”.
A exploração dos mais fracos, dos mais humildes, dos que não dispõem de nenhum poder, nem político, nem religioso, é o princípio sobre o qual está fundado este nosso modo competitivo, violento, elitista e vingativo. Em contraposição aos escribas, às pessoas que dominam a sociedade a segunda parte do evangelho apresenta exemplo de religiosidade autêntica: uma pobre viúva que liberta o seu coração dos bens deste mundo e doa tudo o que tem.
Para poder compreender a importância desse episódio é preciso lembrar que esta viúva não tinha conhecido Jesus, não ouviu os seus ensinamentos, não respondeu a um chamado, não se tornou uma sua seguidora.
Não o acompanhou, como fizeram os Doze e muitas outras mulheres que ficaram ao seu lado durante os três anos da vida pública. Ela representa todos aqueles que, também em nossos dias, mesmo não tendo lido uma única página do evangelho, têm uma vivência evangélica. A narrativa tem como objetivo apresentar aos discípulos um modelo que deve ser admirado e imitado.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br