11 de julho de 2026

Excesso de feriados faz Franca ‘perder’ quase R$ 70 milhões


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Movimento no calçadão do Centro de Franca; queda de vendas obriga lojas a abrir nos feriados

Daqui até o final do ano, o calendário francano prevê nada menos que seis feriados. Contando com o Dia de Finados, novembro e dezembro têm sete feriados. Com esse excesso, o município deixa de ganhar cerca de R$ 69,3 milhões. A estimativa é do economista Vicente Golfeto. Para chegar a esse número, ele dividiu o PIB (Produto Interno Bruto) de Franca em 2009 (4,22 bilhões) pelos dias do ano. O resultado é multiplicado por seis feriados de novembro e dezembro: Finados, Proclamação da República, Consciência Negra, Aniversário da cidade, Natal e Ano Novo. O feriado da Padroeira da cidade, no dia 8, não foi considerado na conta, pois cai num sábado.

“O valor não é exato, porque existem setores que não param nos feriados, como a agricultura”, esclarece Golfeto. Em Franca, outro setor também vai seguir trabalhando durante os feriados: o comércio. Os estabelecimentos, que não abriram no Finados, vão funcionar em todos os outros feriados, com exceção do Natal.

Em geral, os comerciantes dizem que não há a opção de não abrir. Gustavo Villaça, proprietário da Lapidin, afirma que as vendas no mês de novembro geralmente são 20% menores do que a dos outros meses e que, por isso, as lojas precisam abrir as portas nos feriados. Já a proprietária de uma loja de roupas do centro, que se identificou apenas como “Tânia”, afirmou que não adianta abrir. “Não há movimento nos feriados, principalmente no aniversário de Franca”, queixa-se.

A maioria dos comerciários concorda com Tânia. “A maioria do povo viaja, e a gente fica aqui parado. Dependemos de vendas, e para nós não compensa”, diz Luciana Nogueira, vendedora do Doidão dos Calçados.

INDÚSTRIA
A indústria calçadista, por outro lado, acaba bastante prejudicada pela grande quantidade de feriados no final do ano, na opinião do presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão. “Novembro é um mês de finalização da produção do Natal, e os feriados prejudicam o processo. As empresas têm que estabelecer estratégias de aumento de produtividade para compensar a perda nesses dias.”

“Eles são péssimos para a gente. Negociamos alguns pedidos para entregar no começo de dezembro em vez de faturar em novembro, mas, se a produção atrasar, teremos que funcionar nos feriados”, diz Téti Brigagão, diretor de marketing de Sândalo, acrescentando que deixa de produzir 8 mil pares por causa dos feriados de novembro.

Já a perda estimada de produção de Jaime Borges, diretor-proprietário da Stefanello, é de 3 mil pares mensais em novembro, ou R$ 120 mil. Para contornar a situação, a empresa vai diminuir o número de vendas para não ter problemas com atrasos.