Estive ontem na 40ª edição da EP, a festa máxima de Patrícia
Voltei no tempo. Vi, dentre os presentes, Xuxa, início de carreira, com suas grandes bochechas rosadas, tímida e meio deslocada em meio ao salão. Também, Marcelo – um dos mais conhecidos visagistas do País e que veio a Franca acompanhado por Rosângela, uma de suas modelos – que me pediu socorro para um atendimento odontológico ela, já quase na hora da festa. O dentista Tonhão Rodrigues deixou tudo o que fazia para atendê-la. Pouco mais tarde, estávamos todos lá, sorrisos abertos.
Lembrei-me do solerte Abrão Jorge Sobrinho, à época presidente do Clube de Campo, correndo da proximidade de Antônio Carlos Franchini, diretor da Brahma e da minha. Foi só na hora da cerimônia, eu ao lado de Patrícia, apresentando, Abrão à mesa, entregando títulos e Carlinhos, recebendo, que descobri a razão: estávamos, os três, vestidos iguais, calça marrom, paletó quadriculado em tom amarelo. Penso que nosso alfaiate comum, o grande Nivaldo Dutra, de saudosa memória, ri, até hoje, do que nos aprontou. Atendeu – não sem seu sorriso maroto – o que lhe tínhamos pedido. Não restaram mágoas. Restaram risos. Tínhamos, afinal, o mesmo bom gosto.
Eu estava com Patrícia em 1972, quando ela fez sua primeira Noites EP. O mote era reunir e homenagear personalidades que trabalhavam diuturnamente nos mais variados setores da economia local e regional. Elegantes também, porque beleza é fundamental, como dizia Vinícius de Morais e, nós todos, que não somos bobos, aplaudíamos. Algumas semanas antes da festa Patrícia reunia autoridades e, desse encontro, nascia a lista. Edson Luiz Fernandes – o estilista francano que se tornou respeitado e conhecido nas ‘altas rodas’ e ‘odiado’ por Denner e Clodovil Hernandez – fazia a relação de elegantes. Passaram-se quarenta anos. Desses, por quase dez, acompanhei e dediquei trabalho à EP. Este ano, Patrícia me convidou, e a Lourdinha, minha mulher, para estar com ela. Não podíamos deixar passar. Chamou-me também a entrevista sábado passado. Emocionei-me. Não é possível ficar alheio a Patrícia.
Ela é e continuará sendo, e afirmo sem medo de errar, a mais experiente e lúcida jornalista social ainda em atividade neste País. Continua firme e forte apesar dos trancos pavorosos que a vida lhe impôs.
Pretendi, em certa época, convencer a cidade a criar um Conselho de Notáveis, reunindo gente experiente, com toque de Midas, para aconselhar na ocasião de decisões municipais relevantes, fosse lá qual fosse o assunto. Queria ver Patrícia num Olimpo assim. Conselhos do tipo, que valorizam a experiência e o equilíbrio, são praticados e têm voz ativa no Japão e na Alemanha. Não aconteceu. Frustrei-me. Ao final de nosso encontro no rádio ela me disse que quer ser vencida pela morte quando estiver em pleno trabalho. Respeito-a. Quando ela se determina a algo, alcança.
A julgar pela determinação com que ela ainda enfrenta alegrias e tristezas na mesma medida, penso que ela seja eterna. Minha frustração desapareceu. Ave, Patrícia!
LÚCIA BRIGAGÃO
Lúcia, colunista deste Comércio, não se limitou ao desafio imenso de biografar Patrícia – o resultado, esplêndido, foi o livro Querida. Sempre esteve e continua muito presente na vida dela. Participou também da festa de ontem, dentre tantas atividades, criando o cenário do hall de entrada da Vila Ventura, local da 40ª Noite EP. Utilizou-se de fotos recuperadas do arquivo fotográfico da cronista, autêntico túnel do tempo das várias edições do evento. Agradeço pela lembrança de foto minha e Lourdinha. Éramos jovens. Legal poder dizer que as amizades permaneceram. Da lembrança, nasceu o tema desta coluna de hoje.
CENTENÁRIO DA A. A. FRANCANA
O francano Vicente de Paula Oliveira, ex-secretário-adjunto de Desenvolvimento do Estado, economista e professor, embora residindo em São Paulo, não perde suas raízes. Colocou suas memórias sobre a A. A. Francana no papel e este Comércio, publicou. Torcedores de todas as épocas se manifestaram. Há uma parte do texto de Vicente, que agora reproduzo, aproveitando também para saudar o atual presidente Fahim Youssef Issa Neto, pela determinação em manter viva a chama do clube, apesar dos tempos bicudos: “No pequeno armazém-bar de Alfredo Coraucci, situado na esquina das ruas Major Claudiano e Simão Caleiro, travei conhecimento com o esquadrão mais famoso e mais querido por mim e por muita gente da época, o time de 1948: Marreco, Antero e Amaury; Tutti, Gonçalves e Eca; Tim, Tidão, Tonho Rosa, Luizinho Rosa e Canhotinho. (...) O treinador era Gilson Silva, mas na ‘coxia’ estavam as figuras de Demétrio Soares, o Alemão, e Mestre Botelho. Até o zelador das dependências do estádio, Sebastião, o Seba, pai do Canarinho, fazia parte dos que ‘tocavam’ a equipe. Marreco, o goleiro, era paraguaio e, graças à sua figura e seu porte, era o ‘xodó’ das moças de então. No time havia ainda o goleiro Toquinho e Wilfredo, outro jogador de origem estrangeira, paraguaio como Marreco. Naquele longínquo 1948 disputava-se a primeira edição da Divisão de Acesso, criada por Roberto Gomes Pedrosa. A nossa A.A. Francana estrava na chamada Série Preta. Além dos jogos da Série Preta, havia amistosos contra os grandes da capital. Contra o C.A. Ipiranga ganhamos de 5 x 0; contra o C.A. Mineiro, empate por 1 x 1. E no amistoso contra o Palmeiras, o resultado ficou em dúvida até hoje: 2 x 1 para nós ou 1 x 1, como alardearam os palmeirenses. Talvez Oberdan Cattani, que está bem vivo, possa nos esclarecer, pois, ele era o goleiro da S.E. Palmeiras naquele jogo. Não me esqueço (jamais) do esquadrão de 1948, mas, no ano seguinte dois dos nossos grandes ídolos deixaram o time da Simão Caleiro: Tonho e Luizinho Rosa foram jogar no Batatais F.C. Com um time bem montado e articulado, o Fantasma da Mogiana chegou à final do campeonato de acesso contra o Guarani F. C. de Campinas. Mr. Sunderland, juiz inglês designado para apitar tão importante partida lá no campo do Juventus,na Rua Javari, ‘julgou’ melhor mandar o time de Campinas para a Primeira Divisão.”
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br