08 de julho de 2026

Professora de geografia é acusada de chamar estudante de ‘macaco’


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Auxiliar de limpeza disse que pretende processar a professora que, segundo ela, chamou seu filho de “macaco” durante a aula na escola estadual “Torquato Caleiro”, o EETC, no Centro

A auxiliar de limpeza Ana Cláudia Pereira, 35, moradora do Jardim Vera Cruz, ficou revoltada na semana passada ao descobrir que seu filho de 11 anos havia sido ofendido por uma professora de geografia da Escola Estadual Torquato Caleiro. Resolveu, então, registrar um boletim de ocorrência no  Distrito Policial por injúria racial.

De acordo com Ana Cláudia, a suposta agressão foi gratuita. “Ela (professora) estava passando os pontos negativos e positivos para os alunos. Meu filho perguntou para ela o que poderia fazer para reverter o ponto negativo de geografia. Então ela respondeu que era para ele pular igual macaco. Porque era isso que ele era”, disse a mãe, que inicialmente procurou a coordenação da escola para expor o problema. “Fui no outro dia de manhã até a escola, mas a diretora não estava. Falei com a coordenadora e ela fez tudo ao contrário.”

Segundo ela, a funcionária defendeu a professora o tempo todo. Somente ontem, a auxiliar de limpeza teve a chance de conversar com a diretora da escola, que alegou ter ficado sabendo de toda história através da imprensa. “Minha intenção é processar a professora. Foi em frente ao resto da turma. Conversei com um coleguinha dele que confirmou toda a história.”

O problema atrapalha a convivência da família. Seu marido, irritado, prefere nem tocar no assunto. A mãe, agora, deverá procurar a defensoria da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para ajudá-la no caso. “Nunca tive nenhum problema (com ofensas racistas) antes. Essa é a primeira e espero que seja a última.”

O inquérito policial segue em processo de investigação na DDM (Delegacia da Mulher) que pretende esclarecer o caso intimando a professora para prestar depoimento. Ela pode ser enquadrada no artigo 140 do Código Penal Brasileiro (injúria racial) que estipula, em caso de condenação, pena de 1 a 3 anos de reclusão.

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação do Estado comunicou que considera inadmissível, todo e qualquer ato de preconceito ou discriminação. Disse ainda que a Diretoria Regional de Ensino de Franca instaurou uma comissão para apurar os fatos ocorridos e, caso a denúncia se confirme, promete “adotar as medidas cabíveis”.

A Assessoria ressalta ainda que o combate ao preconceito é trabalhado na rede estadual de ensino por meio de programas como o Sistema de Proteção Escolar. Uma das ferramentas usadas é o Manual de Proteção Escolar e Orientação da Cidadania, que orienta os docentes a transmitirem aos alunos informações de conscientização sobre a prática do crime de racismo. Já a Diretoria de Ensino de Franca desenvolve nas escolas estaduais o projeto Identidade, Cultura Negra e Cidadania, que, entre outros objetivos, visa a estimular o respeito à diversidade.