O estoque de botijões de gás dos depósitos de Franca baixou drasticamente na noite de ontem e pode faltar o produto nos próximos dias. A causa, segundo os comerciantes, é o racionamento no fornecimento causado pela greve dos trabalhadores das empresas distribuidoras de gás em São Paulo, iniciada na última segunda-feira. Os francanos correram para garantir seus botijões e fizeram as vendas duplicarem. Os depósitos consultados pela reportagem vendiam o produto por R$ 42.
O comerciante Luciano Cardozo, 32, dono de uma distribuidora de gás no bairro São Joaquim, estava com apenas 30 botijões em seu pátio na noite de ontem. “Normalmente trabalhamos com um estoque mais alto, em torno de 1.200 botijões”, disse Cardozo. Desde quarta-feira, o comerciante já encontra dificuldades em comprar novos botijões na distribuidora em Paulínia. “Se pedimos mil botijões no dia, eles estão arrumando 200. Você pede cem, eles arrumam 20.”
A distribuidora enviou um caminhão para a cidade do interior paulista, mas Cardozo não sabe dizer ao certo quantos produtos virão. Às 20 horas de ontem, o comerciante já tinha mais de 80 encomendas para hoje.
Os revendedores também já passam pelo mesmo drama. O comerciante Manoel Miguel da Silva, 46, dono de um depósito no Jardim Redentor, que está acostumado a vender 40 botijões por dia, havia vendido 60 até as 20 horas de ontem. “Todo mundo está com medo de ficar sem gás. Estamos falando para o pessoal ter calma, que com certeza logo normaliza.” Silva terá botijões para vender hoje por causa de uma carga que chegou atrasada de Ribeirão Preto. “O caminhão estava desde ontem (quarta-feira) para carregar e chegou à tarde, com muito custo.”
Dono de um depósito no Jardim Dermínio, o comerciante José Carlos Morais Júnior, 31, já cogitava fechar as portas nesta sexta-feira. O empresário vendeu 50 botijões entre as 18 e 22 horas de ontem, número vendido diariamente. Os botijões que sobraram foram encomendados para serem entregues hoje. “Eu pedi na terça-feira 200 botijões (em Ribeirão), eles mandaram só 50. Era previsto vir mais 250 hoje e não veio. Se conseguirem mandar, vai ser no sábado, mas não sabemos a quantidade”, finalizou Júnior.
SEM ACORDO
Segundo nota emitida pelo Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) no início da noite de ontem, a categoria decidiu continuar a greve após não chegar a um acordo com as distribuidoras. Os trabalhadores pedem 7,39% de reajuste salarial e 2,1 salários a título de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). A proposta patronal, aprovada pela Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo, é de 6% de reajuste e de 1,6 salário de PLR.
A Justiça determinou que os sindicatos garantam 40% da produção e escoamento do produto no interior do Estado de São Paulo e de 30% do contingente de funcionários das empresas para os sindicatos da Grande São Paulo. Na nota, o Sindigás “repudiou” a decisão do Sindicato de Paulínia, o único do Estado a descumprir a ordem judicial.