Sete títulos e várias histórias. A Noite do escritor Francano, que acontece a partir das 19h30 deste sábado no auditório do Senai, reúne autores e leitores para um grande ‘bate papo’ promovido pela Ribeirão Gráfica e Editora. Além do lançamento dos livros, o evento será prestigiado pelos alunos do Liceu de Ensino com a apresentação lítero-musical Uma gota de romantismo e pela mostra fotográfica Cotidiano, assinada por Gustavo Andrade. “90% das imagens são de Franca e a ideia é retratar ações que passam despercebidas pelo nosso dia a dia”, disse o fotógrafo.
Entre as obras lançadas, está uma edição comemorativa de Sussuarões, concebida por Luiz Cruz há 30 anos. “Nesta edição eu criei um posfácio onde explico algumas coisas. Esse livro eu comecei a escrever em 1970, época ‘braba’ da ditadura. A primeira versão eu escrevi ‘em cartas’, querendo fazer um romance original, montado todo através de correspondência entre os personagens. Achei que eu tinha feito uma coisa espetacular”, disse o autor que ainda revelou ter reescrito sua obra após uma conversa que teve anos atrás com uma amiga, quando ainda morava em São Paulo. “Em 73 uma colega que fazia Letras me disse: ‘olha, ficou muito bom, mas isso não é original não; existe um romance francês chamado Relações Perigosas (Chordelos De Laclos) que é assim, escrito em forma de correspondência.’ Eu fiquei tão aborrecido que resolvi refazer o livro e só deixei um capítulo em cartas. Hoje eu não deixaria mais; ele ficou muito hermético”, avaliou.
Zelita Verzola, escritora que assina o Crônicas Mínimas, acredita que a confraternização é um marco importante para o avanço da literatura local. “Franca tem pouca coisa para divulgar o trabalho literário da cidade. Tem o Nossas Letras, que é uma grande contribuição, e escritores que acabam se organizando.” Sobre o livro que lança, a autora afirmou ter reunido crônicas que provocam o pensamento do leitor. “Cada um tem um motivo, ou vários, para escrever e a mesma coisa acontece com quem lê. A escrita tem muitas funções e o que eu priorizo, além do aspecto literário, é essa coisa da reflexão. Quando você escreve um texto acadêmico você faz um resumo, geralmente em um único parágrafo e depois você discorre o texto completo. O que eu faço na verdade é o primeiro resumo, sem explicitar o restante do texto deixando o leitor fazer sua própria reflexão.”
Outro nome que figura na lista de escritores de Franca é o de Regina Helena Bastianini. Desconfortável com o ‘título’ de escritora, ela negou quaisquer pretensões e falou sobre seus livros “Acho que meu primeiro (Eu e o mundo) é muito imaturo. Se fosse hoje eu não lançaria. Hoje eu tenho consciência do que eu faço e não tenho grandes pretensões nem grandes sonhos. Eu apenas realizo o desejo de colocar no papel o que eu sinto.”
Além de Cruz (Sussuarões), Regina Helena Bastianini (Mar em canto) e Zelita Verzola (Crônicas mínimas reunião), Ângelo Presotto Netto (Meu mundo! Seu mundo? Será que tem jeito?), Clésio Dante da Silveira (Veterana Feiticeira), Lucas Henrique de Andrade (Nós), Sebastião Fábio Girolamo (Na essência da vida: gestos e palavras) assinam obras a serem lançadas na Noite do Escritor Francano. O evento é gratuito e não há retirada de ingressos. É só chegar e agregar.