10 de julho de 2026

O lado sensual do Oriente Médio com o encanto da dança do ventre


| Tempo de leitura: 4 min
Jéssica Batista, 21: “A dança é a forma mais bonita de mostrar a alma”

O lado oriental deste planeta consegue despertar inúmeras sensações em quem vive a cultura ocidental. E olha que nem é preciso se esforçar muito para sentir náuseas ao imaginar uma moça comendo aquele (suculento?) espeto de escorpião assado na brasa. Quem não fica admirado com a beleza e a riqueza de toda a cultura japonesa? Suas tradições e sua arquitetura atraem turistas por si só. Isso sem mencionar o frio da Rússia que nos deu uma das bebidas mais consumidas da atualidade. Sabemos que os russos são historicamente importantes, mas o destaque aqui fica mesmo para a vodca.

O problema acontece mesmo quando pensamos no Oriente Médio. Primeira imagem? Barbudos guerreando, explosões, mortes e violência que parece ser eterna, assim como as areias que servem de plano de fundo para toda essa barbárie. Porém, tanta violência assim acabou escondendo inúmeros outros aspectos da cultura árabe, uma das mais ricas e antigas da história da humanidade. Claro que alguma coisa acaba superando o cenário, como a culinária, a religião e o principal assunto deste texto.

Apesar da fama de serem extremamente radicais, os árabes incorporaram a dança do ventre a sua tradição. O estilo é conhecido mundialmente pelos movimentos do abdômen e do quadril. Tudo isso feito com movimentos harmônicos dos braços e das pernas. Para terminar, adicione elementos exóticos que vão desde a roupa até a música, passando também pelos acessórios. Esta prática tem uma origem desconhecida. O consenso diz que este estilo surgiu por volta de 3 mil A.C, no Egito. As mulheres dançavam daquela forma para agradecer o dom da fertilidade, já que os movimentos também ajudam no parto.

Atualmente o caráter exótico e até mesmo misterioso desta dança continua despertando o interesse de todos que presenciam alguma mulher dançando. Para explicar melhor como tudo isso funciona convidamos a estudante Jéssica Cristina Batista, 21, que pratica a dança do ventre há cinco anos.

A moça que embeleza esta página é francana, mora no Jardim Palma e está no 4º semestre de Administração. “Gosto muito do curso, e gosto de quase tudo que nos ensinam. Em especial a parte de empreendedorismo me desperta bastante interesse”, afirma. Jéssica tenta explicar esta estranha escolha apontando outra grande paixão. “Sei que parece estranho, mas sempre amei matemática e amo dançar”. As contradições não param por aí. Veja o estilo de música que a estudante mais gosta. “Sou uma pessoa totalmente extrovertida, tranquila, sossegada e que gosta de ouvir música, com preferência pelo rock, o que conflita totalmente com meu estilo de dança que, por sua vez, é bastante agitado, com gosto pelas músicas clássicas árabes que são tradicionalmente muito bem orquestradas”.

Depois desta rápida apresentação chegou a hora de focar na dança. Então vamos do início. “Comecei por acaso. Duas primas minhas resolveram fazer aulas de dança do ventre, e me pediram para ir junto com elas. Relutei muito, já que nunca foi algo que eu tive o mínimo interesse, mas acabei indo”, lembra Jéssica. “Nas primeiras aulas eu fui só para assistir. Só ficava olhando e então resolvi arriscar. Hoje nenhuma das minha primas dançam mais. Só eu continuei, chega até a ser meio engraçado”. Mas o que será que nossa dançarina sente quando está se apresentando? “É muito difícil de explicar, mas sinto como se eu fosse um instrumento da orquestra”, diz. “Vejo a bailarina como a ‘ilustração da música’, então tento sentir a música ao máximo, e demonstrar a música na minha dança, deixando a música entrar em mim e transmitindo a minha maneira para quem assiste. É algo bárbaro”.

Não podemos deixar de citar os acessórios. Existem dançarinas que usam espadas e cobras, por exemplo. Mas por quê? “Todo acessório tem seu significado na dança. Um que eu gosto muito e acredito que causa um bom impacto em quem assiste é o candelabro (pois a maioria das pessoas não espera ver uma bailarina entrando com 13 velas na cabeça). É uma dança muito praticada em casamentos, como maneira de desejar boas energias aos noivos, pois as velas simbolizam a queimada das energias negativas e iluminam novos caminhos”, conta Jéssica. Ela se apresenta em vários locais, mas não cobra para isso, na grande maioria dos casos.

Se não é por dinheiro, o que Jéssica e as outras praticantes da dança do ventre buscam? “Para mim o objetivo é ter o meu momento. É a hora que entro em contato com o meu corpo, com a minha mente e com meu espírito e venho obtendo resultados e benefícios em todos eles!”, comenta Jéssica.

Ficou com vontade de dançar? A principal dica que Jéssica dá é para as mulheres não deixarem de praticar dança do ventre por se achar fora do peso, fora da idade ou até por acharem que não são bonitas. Ela garante que não existe padrão para a dança. “A dança é para você. É a forma mais bonita que tem para mostrar a sua alma. Não deixe de praticar por vergonha ou medo. O bem que ela lhe trará é bem maior do que tudo isso”.

Por fim, um último recado aos marmanjos que vieram até aqui só pela foto: Jéssica tem namorado.