Quem está acostumado a frequentar o supermercado Elmac, no Jardim Petráglia, já deve ter percebido que as caixas de som do estabelecimento estão mudas. O motivo é a não concordância da proprietária Elisângela Oliveira com a cobrança de direitos autorais feita pelo Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).
Para ela, a taxa é indevida e não existe garantia do dinheiro ser repassado para os artistas e compositores. “Na verdade, se uma música faz sucesso também é graças a essa divulgação.”
Elisângela disse que fazia o uso de som por meio de quatro caixas distribuídas pelo estabelecimento. “Sintonizava uma rádio pela internet e jogava para as caixas com um estabilizador, mas era algo mais pessoal e em um volume mais baixo.” Por não concordar com a cobrança de R$ 80 mensais, a proprietária do supermercado retirou o som e deixou que as compras fossem feitas no silêncio.
Na academia da personal trainer e fisioterapeuta Elizete de Castro Araújo, as aulas também estão sendo feitas sem música. Em maio deste ano, Elizete recebeu a visita de um agente do Ecad e descobriu que precisaria pagar R$ 51 mensais para continuar atendendo seus clientes com a TV ligada em um canal musical por assinatura. “Não concordei. Acho esse tipo de cobrança falha. Como eles vão saber qual artista estou ouvindo. Se é música nacional ou internacional.”
Para não ser alvo da cobrança pelo órgão, a fisioterapeuta retirou a televisão da academia e cancelou o canal por assinatura. “Está mudo e, como os atendimentos são individuais, ninguém reclamou.”