08 de julho de 2026

13ª dívida


| Tempo de leitura: 4 min

Novembro e dezembro trazem algum alívio para o consumidor. É tempo de ‘13º salário’, mas, também, é tempo de dúvida e de muito planejamento

Representa renda extra e que deve ser aplicada com muito cuidado para não entrar na engrenagem do dia a dia. Final de ano é época de reflexões. Momento de fazer balanço sobre o ano que se vai, e planejar ações e atitudes para o ano vindouro. As dívidas, certamente, são colocadas na balança e, muitas vezes, pesam consideravelmente.

Há duas semanas, este Comércio divulgou que o ‘número de endividados cresceu 8,9% em 12 meses’. Então, em Franca, o número de endividados cresceu bastante. Isso é preocupante.

A tendência, com a melhoria da renda das famílias brasileiras, seria aumento do poder de compra, mas também diminuição da inadimplência. No entanto, o que acontece é o aumento do endividamento. Uma das explicações para o fenômeno é a falta de cultura do brasileiro em poupar.

Quando melhora sua situação financeira, o brasileiro logo pensa em gastar mais e fazer mais dívidas. Se aumentou sua renda – pensa– pode arcar com parcelas maiores de financiamento!

Pesquisas de sites especializados, como o Infomoney, noticiam que ‘o décimo terceiro salário será usado para compras no Natal’. É, no mínimo, um paradoxo. O consumidor contraiu dívidas e se comprometeu a pagar.

No momento em que recebe dinheiro extra – o décimo terceiro salário –, em tese, deveria, como primeira providência, quitar dívidas já contraídas, e não contrair outras!

A primeira atitude do consumidor deveria ser pagar! Afinal de contas, quanto menos dívida tem, melhor sua capacidade de poupar e de comprar pagando à vista, sem dúvida, ainda a melhor forma de adquirir bens.

Nos próximos dias as empresas injetarão, segundo cálculos de analistas, quase R$ 100 bilhões na economia brasileira, através do décimo terceiro salário.

Quando prego sobre poupar, não pretendo prejudicar a economia. Penso que poupar é a melhor alternativa para quem não tem dívidas. Quem tem, o que de melhor pode fazer, é quitar o que deve. É preciso ter planejamento de sua vida financeira para saber se tem poder de compra e reserva para sobreviver neste mundo de crises constantes.

E outra dica. Se for comprar ou quitar, pechinche ao máximo, já que o credor tem expectativa clara de receber a dívida na totalidade. Jamais faça novas dívidas sem quitar as antigas.

Décimo terceiro deveria ser dinheiro extra, mas já chega comprometido. Infelizmente ainda existe um mito no Brasil, de que o brasileiro não consegue guardar dinheiro.

Por isso compra carro financiado e paga prestações mensais porque não consegue poupar o suficiente para comprar à vista. Urge derrubar esse mito. As empresas se aproveitam deste histórico e vendem tudo parcelado, a juros estratosféricos.

Este é o segredo: não entrar em dívidas! Pagar à vista! É difícil, mas temos que nos habituar. Pagar juros não está com nada. Você se escraviza e fica refém da prestação.

Obviamente que resistir aos apelos do mercado que sabe que todos receberão décimo terceiro salário em novembro/dezembro, não é tarefa fácil. A propaganda é criativa e trabalham bastante o impulso e o desejo do consumidor. Mas é preciso ter cautela, ninguém deve ficar sem presentear no Natal, até porque isso faz parte de nossa cultura, mas, contenha-se! Compre apenas o necessário para agradar. Não faça loucuras com seu dinheiro.

ENDIVIDADOS
No Brasil, 7 em cada 10 endividados têm dívidas contraídas no cheque especial e no cartão de crédito. O cartão de crédito é a linha de crédito com maior peso na composição da dívida em aberto dos consumidores: 39% do total contra 37% do limite da conta. Olho vivo.

FUSÃO PLANOS DE SAÚDE
É com bastante apreensão que os consumidores francanos acompanharão hoje a 10ª sessão de julgamento do CADE, que vai analisar e decide sobre a fusão entre Unimed/Hospital Regional. Dependendo da decisão, as empresas poderão ser obrigadas a rever o ato de concentração. Que prevaleça o melhor para o consumidor. Confiamos no CADE.

AVALIAÇÃO DE PLANOS DE SAÚDE
A decisão de compras dos consumidores é influenciada pela troca de experiências pela Internet e pela opinião de amigos e familiares. Levantamento realizado pelo Ibope Media mostra que 41% dos brasileiros conversam com muitas pessoas diferentes sobre diversos produtos. O estudo ainda revelou que a maior parte dos consumidores (51%) afirmou que podem fornecer muita informação sobre algum tipo de produto, outros 33% acreditam ser provável conseguir convencer outros indivíduos com suas opiniões.

Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon Franca - denilson@comerciodafranca.com.br