O ex-deputado Ulisses Guimarães costumava dizer que um político nunca deveria falar mal de outro político perto de sua mulher, porque ela nunca iria entender quando ele tivesse que compartilhar um palanque ou uma aliança com aquele que antes era um crápula, um verdadeiro cafajeste.
Mas os tempos de Ulisses se foram. As mulheres evoluíram, entraram para a política e já não se espantam com essas aparentes contradições existenciais, uma vez que agora é bastante claro para todos, homens e mulheres, que a moral é uma coisa e a política é outra.
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, após consolidada a vitória Fernando Haddad já soltou na imprensa sua intenção de ‘namoro’ com Gilberto Kassab e seu partido, a despeito de todas as críticas ferrenhas que lhe dirigiu durante a campanha.
Mais emblemático ainda foi o caso de seu padrinho político, o ex-presidente Lula. No início da campanha para a Prefeitura da capital paulista, ele não se sentiu nem um pouco incomodado ao ser fotografado todo sorridente ao lado e na casa de seu histórico adversário político Paulo Maluf, tantas vezes chamado por ele de corrupto e ladrão, mostrando a todos que nada é tão admirável em política quanto uma memória curta.
E nossa querida Franca não deixa por menos. Nesse contexto de encontros e desencontros em que se pauta nossa vida política, também experimentamos lances de amor e ódio entre os postulantes a nossa Prefeitura. No primeiro turno, presenciamos críticas e atritos entre Ubiali e Alexandre Ferreira, algumas relacionadas a propostas de governo que segundo eles eram bem diferentes, outras mais afeitas a picuinhas pessoais e irrelevantes.
Terminada essa primeira fase, rapidamente as diferenças se transformaram em afinidades. Depois de um discurso pouco convincente, em que afirmava ter trocado o apoio político pela encampação de algumas propostas de seu programa de governo, rapidamente o deputado Ubiali se entregou ao canto de sereia de seu oponente, comprovando mais uma vez que em política a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades, como diria o pensador político francês, Alexis de Tocqueville.
Mas os desencontros não terminariam por aí. Menos de 48 horas depois de consolidado o pleito, o prefeito Sidnei Rocha, nome forte do PSDB em Franca e padrinho político de Alexandre Ferreira, veio a público criticar o deputado, a aliança, seu programa de governo e até mesmo seu trabalho em Brasília.
Realmente, para o cidadão comum fica difícil entender tudo isso. Sobra apenas a certeza de que não existem mais partidos nem ideologia no Brasil atual e que política, assim como futebol, não se faz com bons sentimentos.
Nesse contexto, talvez fosse melhor copiar os EUA e ficarmos apenas com dois partidos políticos. Pelo menos suscitaria uma escoha mais por ideologia e propostas do que meramente por personagens e carismas, sem contar que diminuiria esse exército de siglas que ninguém sabe o que significa.