16 de março de 2026

Voltei


| Tempo de leitura: 5 min
Faltou profundidade e paixão no debate político. Para merecer governar Franca é preciso, antes de mais nada, querer muito. Quem titubeou, perdeu

‘O debate político ficou artifical. É igual a Photoshop
na mulher da Playboy: fica certinho demais’
Marcelo Tas,
jornalista brasileiro


Foram praticamente três meses de exílio voluntário. Necessário, diga-se de passagem, e importante, por conta das demandas do período eleitoral. Era simplesmente impossível acumular a coordenação do núcleo de política do GCN - que produziu material para o jornal Comércio da Franca, rádio Difusora e portal - com minhas atribuições executivas e a produção desta coluna semanal. Das três, a única que admitia pausa era a Gazetilha. Foi o que fiz.

Nem por isso, o hiato foi confortável ou prazeroso. Durante as 11 semanas consecutivas em que deixei de publicar minhas Gazetilhas, me senti bastante incomodado. Da minha estreia, com Primeiras Palavras, até o texto mais recente, Reencontro com Vieira, já se vão quase 200 colunas, muitas surpresas, algumas polêmicas e uma relação de profunda troca com os leitores que me prestigiam com sua atenção. Senti muita falta. No que depender de mim, não repito. Ausência deste tamanho, não mais.

Já que é um recomeço, nada melhor do que um balanço do que fiz para marcar o início desta nova etapa. Basicamente, trabalhei na cobertura das eleições municipais. Foi um grande desafio. Apesar do considerável número de profissionais que trabalham na redação integrada do Comércio/Difusora, são poucos os que têm experiência necessária para coordenar ou editar uma cobertura deste porte. Menor ainda é o número daqueles que têm interesse por política. Como todos os nossos profissionais que preenchiam os dois requisitos estavam envolvidos em outros projetos, coube a mim a missão de coordenar a cobertura política, o que quis fazer também por uma razão bastante pessoal. Depois de sete anos, seria uma oportunidade de estar de volta ao lugar em que me sinto mais à vontade: uma redação.

O núcleo reuniu uma equipe respeitável. Edson Arantes, veterano de coberturas políticas; Priscilla Sales, ex-editora e repórter especial, Patrícia Paim, a jornalista que mais conhece a região entre os profissionais do GCN, além de Barros Filho e Aline Faian. A este grupo coube a missão de produzir o grosso do conteúdo que veiculamos. Impossível deixar de citar Leandro Vaz, a quem coube a mediação das sabatinas e debates; Luciano Tortaro, sempre pronto a ajudar na edição; Cíntia Flávia, que consolidou o material para o rádio; Sidnei Ribeiro, que acompanhou a cobertura nacional; Luiz Neto, responsável pelo contato com dirigentes partidários; Eliane Silva, que ajudou no fechamento das edições extras do primeiro e segundo turnos; Thiago Comparini e equipe de TI, pelo software que permitiu uma apuração paralela irretocável; e Joelma Ospedal e Everton Lima, responsáveis, respectivamente, pelo jornalismo do Comércio e da Difusora e grandes entusiastas e apoiadores do projeto de cobertura eleitoral.

Alguns números traduzem o tamanho da empreitada. Desde julho, o tema ‘Eleições’ ocupa diariamente nossos veículos. A partir de agosto, começamos com o suplemento diário no jornal e os boletins de rádio. Foram 55 edições do caderno ‘Eleições 2012’, num total de 232 páginas, aí incluídas duas edições extras. Foram mais de 300 notas publicadas em 55 edições da coluna ‘Bastidores’, assinadas pelo competente Edson Arantes, um diferencial importantíssimo - e exclusivo. No rádio, os boletins diários, acrescidos dos debates, sabatinas e da marcha das apurações, somaram 72 horas de transmissão. Houve ainda cinco rodadas exclusivas da pesquisa GCN/Datalink. No portal, basicamente, tudo que veiculamos no jornal e no rádio foi também para a internet, com um aditivo poderoso: sabatinas e debates puderam ser acompanhados com sons e imagens. Houve momentos em que mais de 12 mil pessoas seguiam tudo, simultaneamente, apenas pela internet.

Uma vez mais, as nove sabatinas e oito debates foram nossa contribuição mais importante ao processo eleitoral, na medida em que desnudaram candidaturas, contrapuseram propostas, buscaram explicações para posicionamentos controversos. No total, foram 17 eventos.

A nota fora fica para o preparo, insuficiente, de muitos candidatos, especialmente daqueles que pretendem governar uma cidade da importância de Franca. Faltam informações, dados, projetos, capacidade crítica e disposição para o enfrentamento. Falta, sobretudo, uma visão mais clara de que cidade projetam para o futuro e de como o governo que pretendem liderar vai alcançar este objetivo. Neste ponto, vencedor e derrotados se equivaleram. Não que a vitória de Alexandre Ferreira tenha sido imerecida ou ilegítima. Mas o fato, inequívoco, é que nem ele, a quem cabia defender o governo, nem seus adversários, aos quais competiam as críticas, foram capazes de sustentar seus argumentos com dados concretos. Ficou o diz-que-me-diz, a agressão gratuita, o pró ou contra Sidnei Rocha. É pouco para Franca.

Missão cumprida? Mais ou menos. Fizemos o possível para levar informações relevantes aos nossos leitores e ouvintes. O nosso papel é provocar, instigar, cobrar, lembrar antigas promessas e questionar a viabilidade das novas. Tenho convicção de que fizemos o que nos cabia, com equilibrio, mas o resultado poderia ter sido melhor. O palco estava armado, mas os atores economizaram na emoção com que defendiam seus papéis. Foi insosso em grande parte, agressivo demais no final. Faltou profundidade e paixão. Porque para merecer governar Franca é preciso, antes de mais nada, querer muito, se entregar de corpo e alma, estar muitíssmo preparado e ter coragem para o confronto. Quem titubeou, perdeu.

Ao vencedor, Alexandre Ferreira, cabe governar. Aos derrotados, recomenda-se uma profunda reavaliação e reposicionamento, pelo bem da democracia. À imprensa, é tempo de acompanhar a formação do novo governo. Quanto a mim, sigo por aqui, com meus pitacos eventuais nas minhas colunas domingueiras. Até a próxima.

CORRÊA NEVES JÚNIOR
é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br