A avenida Abrahão Brickmann, principal via da zona norte de Franca, corta, em seus mais de quatro quilômetros de extensão, os bairros Leporace, Jardim Luiza, Portinari e Pinheiros e, normalmente, é lembrada quando nela ocorrem assaltos e acidentes de trânsito. Também é conhecida por ser um dos grandes corredores comerciais da cidade e abrigar as polêmicas garagens que se transformaram em lojinhas clandestinas nos predinhos da CDHU. Há um outro lado desta avenida, no entanto, que é reservado a um público específico: o religioso.
Em um trecho de apenas um quilômetro e meio da Abrahão Brickmann, entre os jardins Pinheiros e Luiza, estão instaladas nada menos que 13 igrejas. É praticamente uma por quarteirão. Das 13 igrejas, duas são da religião católica e as demais seguem a doutrina evangélica em diversas de suas denominações -são pelo menos sete distintas. Para se ter uma ideia, no trecho há mais igrejas que supermercados (5), farmácias (3), restaurantes (2) e até botecos (10), incluídos aí os de pequeno porte.
A Assembleia de Deus, que também se divide em vários módulos, ou campos missionários, como eles chamam, tem o maior número de igrejas na avenida: quatro. Existem ainda unidades da Quadrangular, Missionária, Fonte da Vida, Batista Independente Betel, Comunhão Batista e Brasil Para Cristo. As católicas são a Nossa Senhora Auxiliadora e a Santa Gianna Beretta.
A concentração de pontos religiosos fica ainda maior se forem considerados a região próxima da Abrahão Brickmann. Considerando-se apenas as duas primeiras ruas paralelas à avenida, o número de igrejas salta para mais de 30, incluindo-se aí diversas outras nomenclaturas evangélicas e alguns locais de pregação kardecista. “Olha, eu acho que nenhum outro lugar de Franca tem a quantidade de templos que há aqui no bairro”, disse o autônomo Pablo Antônio Silva, 31, seguidor do catolicismo.
Ninguém sabe ao certo a razão de tanta igreja construída lado a lado. Para o pedreiro e freqüentador da Assembleia de Deus, Devair Alves Domingos, de 52 anos, que ajudou inclusive, como voluntário, a erguer algumas delas, no início do loteamento do Jardim Luiza, os terrenos eram mais baratos que em outras regiões da cidade e isso atraiu a atenção dos líderes das igrejas. “Muitos pagavam aluguel e aproveitaram os valores dos terrenos e os parcelamentos para erguer sedes próprias, com a ajuda dos fieis”, afirmou. “Sem dúvida, é um local abençoado demais por Deus”, brincou o pedreiro.
Para o pastor da igreja Comunhão Batista, Francisco Aguimar Alves, 70, diante da situação de criminalidade registrada naquela região (leia mais nesta página), são poucos os templos. “Na verdade, quanto mais melhor. A necessidade é grande. A igreja é hoje uma saída para quem está perdido. É um pronto-socorro espiritual, um lugar de refúgio.”
Não há uma estimativa oficial, mas os religiosos entrevistados disseram ter entre 60 e 400 membros em suas igrejas. De acordo com eles próprios, somados, os templos católicos e evangélicos reúnem mais de 5 mil seguidores.