O pagamento das duas parcelas do 13º salário dos francanos injetará na economia local cerca de R$ 103 milhões. A constatação parte de um estudo realizado pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) com base nos dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) de dezembro de 2011, que mostram que na época havia pelo menos 83 mil trabalhadores com carteira assinada no município.
O cálculo foi feito a partir do número de empregos formais e da renda mensal média de cada categoria de trabalho. Os valores devem começar a ser movimentados no município a partir de novembro, época em que os trabalhadores recebem a primeira parcela do 13º. O estudo descarta os benefícios recebidos por aposentados e pensionistas.
De acordo com José Alexandre Carmo Jorge, presidente da Acif, indústria, comércio e serviço do município devem sentir uma considerável movimentação da economia a partir do recebimento do benefício. “Esse dinheiro, certamente, deverá ser usado em compras e pagamento de dívidas no município e vai girar a roda da economia francana beneficiando todos os setores, inclusive o público”, disse.
Para os lojistas, a época de pagamento do 13º é sempre de festa. Há oito anos no setor comercial, o vendedor Gabriel Chacon, da Garagem Modas, já comemora a chegada de novembro. “É bem visível o aumento do fluxo de clientes na loja e o maior volume de vendas no final do ano. Nessa época, o pessoal gasta não só com o cartão de crédito. Muitos aproveitam o 13º e já fazem as compras à vista, o que aumenta o caixa da loja. É realmente um período muito bom para as vendas.” A projeção da loja para o final deste ano é faturar de 20% a 30% a mais que em dezembro de 2011.
CAUTELA
Para o professor especialista em economia e coordenador do Núcleo de Administração da Unifran, Aécio Flávio Lemos, os R$ 103 milhões são altamente significativos para a economia local, principalmente para o comércio, que deve receber com a compra e o saldo de dívidas de consumidores. “É uma época propícia para que as associações e órgãos comerciais proponham as renegociações de dívidas.”
O especialista alerta, no entanto, que é preciso ter cautela na hora de decidir o que fazer com o dinheiro extra do 13º. “O correto seria não gastar o dinheiro, se possível. Se a pessoa tiver dívidas, ela deve aproveitar o momento para saldar esses débitos, e ter consciência de que janeiro é um mês com contas a pagar como IPVA, matrícula escolar, entre outras. O ideal seria deixar o dinheiro como provisão para que janeiro não vire um mês de muito sacrifício.”
Lemos aponta também que, ao comprar, o consumidor deve pensar se realmente tem necessidade do produto a ser adquirido. “As pessoas criam necessidades, e o resultado quase sempre é um gasto excessivo por parte da população, que beneficia o comércio no final do ano e acaba prejudicando o setor entre abril e maio, que são os meses em que o endividamento chega ao ápice.”