Para os machistas de plantão, o mundo deve estar ficando de cabeça para baixo, pois os tempos em que a fragilidade era quase uma prerrogativa da condição feminina estão definitivamente ficando para trás. Matérias divulgada por este Comércio no domingo, 21/10, mostra que atualmente as mulheres chefiam quase 25% do total de famílias estabelecidas em nossa cidade.
Se em um passado recente elas ainda estavam presas ao jugo masculino, dependentes moral e financeiramente dos homens, hoje em dia elas tomam a frente da casa, separam-se ou divorciam-se de seus companheiros sem medo do que possa vir a acontecer e cuidam dos filhos muitas vezes sozinhas, deixando muito marmanjo com o queixo caído, tanto de inveja como de espanto e surpresa.
A explicação para esse fato não é tão complicada. Nas últimas décadas, as mulheres se tornaram maioria nos bancos universitários, ultrapassaram os homens em termos de escolaridade, libertaram-se de muitos preconceitos que as mantinham como inocentes mães de família e desprotegidas donas de casa e invadiram o mercado de trabalho em quase todos os setores da economia, inclusive naqueles até então tidos como exclusivamente masculinos, como a construção civil, por exemplo.
Para além dessas conquistas, nos últimos tempos elas também ainda galgaram cargos de chefia em muitas empresas e entraram pesado na política, a despeito das diferenças e dos preconceitos que ainda persistem em muitos casos. E fizeram tudo isso sem descuidar da condição de mãe e dona de casa, mesmo que para isso tenham que dobrar ou triplicar sua jornada de trabalho.
Obviamente, essa não é a situação ideal. De certa forma, ainda deixa transparecer a delicada situação vivida pela mulher em nossa sociedade, pois os homens continuam abandonando suas mulheres e suas responsabilidades de família com uma tranquilidade que não deveria ser nada normal em uma sociedade que se dispusesse a justa e merecida igualdade entre os gêneros.
Mas, infelizmente, mudanças de mentalidade e de comportamento obedecem ao tempo histórico e não as nossas vontades. Talvez ainda leve alguns anos para que os homens percebam que o mundo ideal não é aquele dominado por eles, mas sim aquele em que homens e mulheres se entendam e se ajudem mutuamente, a despeito de continuarem ou não juntos.
Nesse sentido, talvez fosse necessário endurecer ainda mais as normas jurídicas contra aqueles que abandonam seus filhos e suas ex-companheiras, mesmo considerando que não se pode obrigar alguém ao amor, à consideração e ao sentimento de paternidade. Separar-se de uma mulher e envolver-se com outra, é uma decisão natural e de foro íntimo. Mas abandonar a criação dos filhos deveria ser considerado um delito ainda mais grave do que a simples prisão provisória que acontece hoje em dia.