Um batalhão de 60 mulheres francanas se reuniu há duas semanas para um programa bem masculino: aula de artes marciais. O treino tomou o espaço do estacionamento da Hidromar, na avenida Ismael Alonso y Alonso. A iniciativa foi da academia Biofitness, que possui uma das suas duas unidades na área e montou um grande tatame para um “aulão” de MMA (Mixed Martial Arts, ou Artes Marciais Misturadas, em português).
O aulão direcionado ao público feminino foi criado com o intuito de incentivar a prática de exercícios físicos e atrair mais adeptas para o MMA, que, graças aos lutadores Anderson Silva, o “Spider”, Vítor Belfort, os irmãos Minotauro e Minotouro (Rodrigo Nogueira e Rogério Nogueira, respectivamente) e Junior dos Santos Almeida, o Cigano, está se tornando muito popular no Brasil.
A bancária Suelen Santos, 24, uma das participantes do aulão, já pratica MMA há aproximadamente quatro meses. Ela disse que é adepta das lutas há um ano. O seu objetivo, no entanto, não é o de se tornar uma máquina de chutes e socos. “O que mais me atrai nas aulas é o condicionamento físico que a gente ganha, a parte corporal mesmo”, diz.
A auxiliar de suporte técnico Evelin Behanduni, 26, apesar de também desejar adquirir uma melhor forma física com as aulas, é mais ligada às competições. “Meu ídolo é o [lutador] Vítor Belfort.”
Além das artes marciais, as aulas focam também defesa pessoal. “Com os conceitos de defesa pessoal, você tem um preparo maior, se sente mais segura”, afirma Evelin. “Quem nunca fez nenhum tipo de luta, pode achar que o MMA é coisa de homem, que é algo agressivo. Nada disso. É uma coisa que dá para a mulher fazer e emagrecer, já que a perda de calorias é excelente.”
O proprietário da academia, Luciano Lopes, afirma que, quanto maior a intensidade do treino, maior a satisfação das mulheres, que se preocupam muito com o resultado dos exercícios.
A agente de viagens Gabriela Villela Rosa Ferrari, 31, faz muay thai há um ano em outra academia e compareceu ao aulão para conhecer o MMA. “O muay thai emagrece, diminui o stress, condiciona. Para a mulher, é uma maravilha: tudo o que te irrita dá pra descontar no muay thai, e ouvi dizer que o MMA é bem parecido.”
O aulão não atraiu apenas mulheres na faixa dos 20 anos, como Suelen e Evelin. A funcionária pública Deunice Garcia da Silva, 51, também bateu ponto por lá. Ela é mãe do dono da Biofitness. “Eu gosto de me exercitar. Quando meu filho estava estudando, eu comecei e nunca mais parei. Faço musculação, pump, bike e hoje vou conferir o MMA pela primeira vez. Eu vejo a turma fazendo e fico com uma vontade... Vou entrar no meio e virar adolescente”, brinca.
Deunice afirmou fazer tantos exercícios pela qualidade de vida que eles proporcionam. “Desde que comecei, a minha saúde, ânimo e disposição melhoraram muito.”
Um quarteto feminino também chamou a atenção na aula pela idade: Mariana Chimionato de 15 anos, Ana Luiza Pimenta e Milena Ferreira, 13, e a irmã de Milena, Mariana, 11 anos. “Já fazia academia, mas quero fazer o MMA para ter mais resistência”, disse Milena, que está inscrita nas aulas de MMA e não falta de jeito nenhum. Ana Luiza e Milena dizem que a inspiração para as aulas é o desejo de ter corpo bem definido. Já Mariana afirma que gosta mesmo é de dar golpes.
LUTA
De acordo com o proprietário da academia, Luciano Lopes, as francanas ainda não estão preparadas para a luta profissional, mas estão perto dessa fase.