08 de julho de 2026

A escola ideal?


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Na atividade cotidiana de educador na rede estadual de ensino, tenho aprendido importantes lições observando a dinâmica do comportamento humano em circunstâncias diversas. Educadores e educandos, em vários momentos, são constrangidos a atividades desconexas, distante da realidade diária e na contramão das necessidades do homem integral.

Acredito que o processo educativo ideal deve abarcar a dimensão física, mental e espiritual do indivíduo. Segundo a educadora Dora Incontri, pós-doutorado em Filosofia da Educação pela USP, pensadores como Pestalozzi levavam em conta aspectos hoje negligenciados, como o espiritual. Entretanto, atualmente nossa sociedade prioriza o conteudismo e o curriculismo, formas insuficientes de educação, não condizente com as múltiplas necessidades do ser humano.

Não basta que o educando amontoe estrelinhas em seu caderno de lições ou passe em primeiro lugar no vestibular, é preciso que ele aprenda a ajudar os colegas com mais dificuldade. Temos que educar para o novo mundo, utilizando metodologias que despertem os sentimentos e ensinem a pensar com o coração. Divaldo Pereira Franco, sob irradiação do espírito Joanna de Ângelis, refletiu que ‘Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do Homem Integral, por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem notícia’.

Penso que nosso primeiro grande engano é tornar a escola um espaço padronizado, abarrotado de normas, e incapaz de inovar. Temos que lutar por uma educação que liberte as consciências, oferecendo ao educando as ferramentas necessárias para o desenvolvimento das potencialidades que lhe são inerentes. Romper com o dogmatismo da educação não é tarefa fácil, no entanto, é fundamental.

Entretanto, também é fundamental que nos auto-eduquemos. Diariamente temos a possibilidade de refletir sobre nossas iniciativas no ambiente escolar, nos auto-avaliando, e avançando em nossa própria evolução.

Segundo Rudolf Steiner, não há, basicamente, em nenhum nível, uma educação que não seja a auto-educação (...). Toda educação é auto-educação e nós, como professores e educadores, somos, em realidade, apenas o ambiente da criança educando-se a si própria. Devemos criar o mais propício ambiente para que a criança eduque-se junto a nós, da maneira como ela precisa educar-se por meio de seu destino interior”. Com essas palavras, o fundador da Antroposofia e da pedagogia Waldorf evidencia que precisamos construir um ambiente escolar que estimule a auto-educação, rompendo com o modelo educativo tradicional que impõem ao estudante, um modelo assemelhado com a catequese dos séculos passados.

Com base neste conhecimento, convido os leitores à reflexão, convicto de que necessitamos de novos modelos que estejam em consonância com os jovens da atualidade. Lutemos por uma educação que se preocupe com a formação moral do indivíduo, começando por abarcar cada um de nós.

Edgar Ajax dos Reis Filho
Professor de História e Sociologia da Escola Estadual ‘Torquato Caleiro’