08 de julho de 2026

Chico Xavier


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Em recente enquete realizada pelo SBT, o médium Francisco Cândido Xavier, inesquecível Chico Xavier, foi eleito, entre tantas personalidades importantes, ‘O Maior Brasileiro de Todos os Tempos’. Evidentemente que tal escolha muito dignificou a todos os espíritas brasileiros, conquanto saibamos da transitoriedade das glórias do mundo. Contudo, trata-se de reconhecimento merecido a alguém que tanto fez pela humanidade.

Ante a escolha, ficamos a meditar: qual a razão que teria levado o imenso público telespectador, composto de pessoas dos mais diferentes credos, a eleger o médium mineiro? Teria sido porque foi ele o maior expoente dos trabalhadores espíritas do Brasil? Não, não pode ser só por isso, porque os que o elegeram não foram apenas os espíritas. Aliás, podemos afirmar que Chico transcendeu a religião, conquanto fosse declaradamente espírita cristão, conforme se autointitulava. Teria sido pela sua mediunidade, já que Chico foi o maior fenômeno do século XX na condição de portador de inúmeras faculdades mediúnicas, com as quais serviu? Todos sabem que ele psicografou e identificou centenas de desencarnados, através das chamadas ‘mensagens família’, consolando mães desesperadas, familiares entristecidos. Também, como médium, participou de inúmeras experiências de ectoplasmia, comumente chamados de materializações. Nesse aspecto, trabalhou muito com o memorável médium Peixotinho, de quem era amigo particular. Veja-se, neste aspecto, o livro O Dossiê Peixotinho, escrito pelo jornalista Lamartine Palhano Jr., de Vitória (ES).

Além do mais, Chico foi o médium de que se serviram os espíritos, mormente Emmanuel, seu mentor, para a psicografia de 412 livros, abordando o tríplice aspecto da Doutrina Espírita, ou seja, Ciência, Filosofia e Religião.

Foi por sua mediunidade psicográfica que o Espírito Emmanuel fez luminosas incursões na história, na ciência e na filosofia e analisou com profundidade o Novo Testamento. André Luiz, sob a supervisão de Emmanuel, faz-nos um relato do mundo espiritual, dando continuidade ao trabalho de Allan Kardec, em quem repousa a base do Espiritismo.

Inobstante a grandeza de sua obra psicográfica, não foi por isso – acreditamos – que o distinguiram entre seus concorrentes. Para nós, sua escolha deveu-se ao fato de ter sido ele a pessoa que mais viveu o cristianismo do seu século. A todos, pobres e ricos, recebia e ajudava incondicionalmente com a atenção e o carinho da sabedoria dos humildes. Dizia: ‘aceito os homens como eles são e continuo eu mesmo.’

A todos compreendia, consolava e estimulava. E o que dizer da assistência semanal a milhares de pessoas carentes as quais prodigalizava recursos materiais em filas imensas?

Foi o verdadeiro cristão na mais pura acepção da palavra, ao lado de expoentes como Gandhi, Albert Schweitzer, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce e tantos outros que fizeram do amor a lei de suas vidas.

Por isso, principalmente por este aspecto da sua personalidade, Chico merece a escolha de ‘O Maior Brasileiro de Todos os Tempos.’

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca