Os órgãos públicos no Brasil andam definitivamente em uma velocidade bem diferente daquela vivenciada pela realidade que tentam contornar. Quase um ano depois de anunciada a fusão dos dois principais convênios de saúde da cidade, agora vem o Cade (Conselho Administrativo de Defesa do Consumidor) tentando impedir essa união, como se nada ainda tivesse acontecido de concreto na prestação desses serviços.
Mesmo considerando a importância dessa autarquia federal para se impedirem os monopólios e para se preservar a livre concorrência em todos os mercados, era de se esperar que, a despeito de suas recomendações, ela agisse com um pouco mais rapidez. Se considerarmos o atual estágio em que se encontra essa fusão, os desafios já enfrentados pelos gestores e os desencontros vivenciados pelos usuários de ambos os planos, vamos perceber claramente que uma decisão contrária à união nesse momento poderá ser mais prejudicial à população francana do que benéfica, justamente a quem o Cade busca proteger.
No entanto, para além dessa questão existem outras que precisam ser analisadas. Por um lado, é certo que um grupo econômico que detenha mais de 90% de seu mercado, como alega o Cade, pode sentir a tentação de estabelecer um monopólio em sua área de atuação. Por outro, porém, é preciso considerar que o setor da saúde tem lá suas particularidades. Se não concretizarem essa união, se não conseguirem um ganho de escala para baratear seus custos, ambos os convênios correrão o risco de sucumbir aos altos custos demandados por uma saúde de qualidade que nos dias de hoje torna-se cada vez mais cara, mas que por sua vez também é cada vez mais exigida pelo consumidor.
A questão realmente não é simples. Mas pelo tamanho de nossa cidade e pelas deficiências que hoje se apresentam em nossos serviços de saúde, era de se esperar que o Cade desse um crédito para essa união, já que por meio dela vários serviços que hoje não estão disponíveis em Franca poderão ser planejados para um futuro próximo, o que facilitaria a vida de boa parte de nossa população.
Nesse sentido, talvez mais importante do que impedir a união entre esses convênios, a qual aliás já está bastante adiantada, o ideal seria insistir em uma fiscalização que pudesse acompanhar a evolução desse novo grupo por alguns anos. Monitorar reajustes de preços, orientar procedimentos de maneira que não prejuízo aos interesses da população, essa sim poderia ser uma atuação do Cade, ou algum outro órgão responsável, a partir de agora.
Agora, o melhor, sem dúvida, é apoiar e fiscalizar de maneira a ajudar a preservar a qualidade dos serviços na cidade.