08 de julho de 2026

Pirilampos


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Em um dia desses descobri algo extraordinário. Não é nada de novo, eu acho, mas algo sobre pirilampos. Descobri que eles são praticamente invisíveis a maior parte do tempo! E mais: vivem num universo transitório, de onde vêm para enfeitar as noites no fim do inverno e do começo da primavera da Região Sudeste do Brasil.

Era mais ou menos dezoito horas. Eu visitava uma pequena reserva ambiental particular no Sul de Minas Gerais. Era aquele momento em que a luz do Sol vai se diluindo na paisagem, em que as sombras vão se alongando, alongando até se desfazerem numa massa cinza-escuro que domina o ambiente.

Foi nesse momento que notei no meio do capim ralo diminutos pontos de luz de um tom verde cintilante, surgindo aos milhares, piscando e partindo em vôos rasantes. E eu que andara boa parte do dia sobre aquele relvado amarelo palha e não notara um resquício de vida sequer! A seca de mais de três meses tornara a vegetação rasteira uma massa ressequida, sem vida, espalhada sobre o solo. No entanto, bastou que a luz do Sol se fosse para surgirem, em miríades, de todos os cantos, como que brotando de alguma dobra do Universo, no pequeno espaço tempo entre o dia que se ia acabando e a noite começava ganhar contornos.

Em algumas moitas e arbustos o espetáculo era ainda mais extraordinário. Um amontoado de ramos desnudos e garranchos se transformando em fantásticas árvores de Natal. Não com bolas extravagantes e multicoloridas, mas sutis pontos de luz néon em movimento, numa ciranda circunscrita por limites invisíveis, recheada de vida à procura de perpetuar a vida. Na floresta, então, eles eram milhões, buscando cada um o seu par, para a corte.

Provavelmente não podem ser vistos por qualquer um. Para isso é preciso ir até eles, estar atento e com tempo, porque não é possível que sejam fotografados, nem filmados com equipamento qualquer. Seus luzeiros são frágeis demais para registros comuns. A sua chegada constitui espetáculo divino, que só pode ser visto em plenitude no seu ambiente natural, a olho nu e por limitado espaço de tempo!