Semana passada, o Ministério da Ciência e Tecnologia desenvolveu a nova edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. O tema foi “Economia verde, sustentabilidade e erradicação da pobreza”. (O número de atividades cadastradas superou a expectativa dos organizadores, passando de 16 mil em 2011 para 23 mil, este ano, o equivale a um aumento de mais de 40%. A quantidade de instituições parceiras subiu de 833 para 867 conforme dados parciais do Ministério). É um evento essencialmente de divulgação de C&T. Desde que li o fantástico livro Os Dragões Do Éden de Carl Sagan, comprei a ideia dele em divulgar Ciência e Tecnologia para o leigo. E, há mais de vinte anos venho escrevendo sobre as descobertas cientificas procurando traduzir a linguagem técnica para a comum. Creio que o mundo não pode ser dominado por superstições e ignorância.
Aproveitando a feliz oportunidade da Semana da Ciência, não poderia deixar de homenagear os 30 anos do Instituto Ciência Hoje. Neste tempo, foram 294 edições, contabilizando 25 mil páginas de artigos escritos por milhares de cientistas do Brasil e até do exterior, além de matérias jornalísticas, notícias, entrevistas, etc. Um marco que teve início no dia 7 de julho de 1982 quando pesquisadores, professores e estudantes de todo o País, reunidos em Campinas (SP), durante a 34ª Reunião Anual da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, receberam a primeira edição da revista Ciência Hoje.
Na época, o Brasil estava saindo do regime político ditatorial e a economia vivia período de recessão que afetou a década toda. Por outro lado, a ciência crescia e a própria comunidade científica mobilizou-se para melhorar as condições da pesquisa no País. A retomada democrática era a oportunidade de discutir novas ideias e propostas, e com a inclusão da sociedade no debate das políticas científicas. Também não havia fomento institucionalizado, não havia programa de apoio a divulgação científica, muito por fazer.
A revista sobreviveu, não porque ela tinha bons redatores, nem porque tinha público, mas porque tinha o idealismo como motor. E, como todo divulgador de C&T, colaborou e acompanhou o crescimento da produção científica brasileira. Outra característica importante da revista é a independência em seus projetos mesmo quando são financiados por órgãos públicos. Também é a interdisciplinaridade, divulgando sempre as ciências sociais, humanas, naturais e físicas.
Também não posso deixar de registrar excelente iniciativa do Estado de São Paulo, que comemorou também os 50 anos de criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Uma verdadeira história de sucesso que já tive oportunidade de contar. Os legisladores da Assembleia Constituinte Paulista de 1947 resolveram que “anualmente o Estado atribuirá a essa fundação, como renda especial, quantia não inferior a meio por cento do total de sua receita ordinária para a pesquisa e a descobertas de novos conhecimentos”.
Certamente isso foi impactante para que São Paulo chegasse ao que é hoje, um exemplo do que cada Estado ou cidade grande deveria fazer para se desenvolver e crescer.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais