O comando do Batalhão da PM de Franca abriu IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar as circunstâncias da morte do estudante Luiz Roberto Prata Quintiliano, de 17 anos, que residia no Jardim Cambuí. Ele foi morto ao tentar pegar a arma de um soldado que participava de uma operação de trânsito na avenida Doutor Abrahão Brickmann, no Leporace. A pistola ponto 40, segundo as primeiras informações, disparou quando o jovem a segurava e atingiu seu tórax. Os fatos ocorreram por volta das 16 horas de domingo. No Plantão Policial, a ocorrência foi registrada como resistência seguida de morte.
As polícias Civil e Militar apuraram que PMs realizavam operação bloqueio na Abrahão Brickmann, cruzamento com a rua Clóvis Vieira de Andrade. O principal foco, de acordo com o comando da PM, eram as motos, já que este é o principal veículo utilizado em ações criminosas, como os roubos.
Ao avistar a aproximação de uma moto ocupada por dois indivíduos em atitudes suspeitas, o policial envolvido na ocorrência e que não teve o nome divulgado determinou que o condutor parasse, mas ele não obedeceu e acelerou. O soldado foi atingido pela moto na perna esquerda e rodopiou. O passageiro do veículo agarrou e tentou levar a pistola do soldado, mas ela disparou e o atingiu no tórax.
O motoqueiro ainda seguiu por cerca de 20 metros com o passageiro ferido em cima do veículo, mas este caiu no asfalto. Socorrido pelos policiais que participavam da operação, Luiz Quintiliano foi atendido no Pronto-socorro “Doutor Álvaro Azzuz” e transferido para a Santa Casa, onde morreu em decorrência do tiro. O condutor da moto fugiu.
Peritos criminais estiveram no local do incidente e constataram que a força imposta pelo jovem para tentar arrancar a pistola do soldado causou danos no equipamento usado por ele no cinto - havia peças espalhadas em várias direções. As primeiras análises dos legistas também apontaram vestígios de pólvora nas mãos, braços e próximo ao ferimento no jovem - evidências de que ele seguraria a arma.
Após visitar o local da ocorrência, ouvir partes e peritos, a delegada Christina Bueno, que respondia pelo Plantão Policial no domingo, determinou a elaboração do boletim como homicídio/resistência. Ela mandou recolher a arma para perícia e liberou o policial. Conduzido ao Batalhão, o soldado, que estava abalado, foi novamente interrogado, junto com testemunhas. Todos confirmaram as versões prestadas no Plantão.
Luiz Quintiliano, que residia no Cambuí e estudava no Parque do Horto, foi sepultado na tarde de ontem no Cemitério Municipal de Miguelópolis (SP). Nenhum familiar foi localizado para falar sobre o fato.
O major Marcelo Trevisan, comandante operacional do Batalhão da PM de Franca, informou que o soldado será submetido a exames psicológicos em Ribeirão Preto. Dependendo do parecer médico, o policial poderá ser afastado de suas funções.