15 de março de 2026

Baianos chegam para plantar café e são eleitos vereadores em Ibiraci


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O baiano Ginovaldo dos Santos, que catava café, se elegeu vereador pela segunda vez

Todos os anos centenas de baianos deixam a família em suas cidades e viajam até Ibiraci (MG) para trabalhar nas lavouras de café. Depois de meses catando café, retornam para a Bahia com praticamente o único sustento da família durante o ano.

Eles fogem da seca e da falta de emprego e encontraram na cidade mineira uma esperança de melhorar de vida. Sem muitas perspectivas de uma vida melhor, há aqueles que resolvem tentar a sorte e se mudam com a família. Foi o que fez Ginovaldo Rosa dos Santos, 42, que hoje se considera um vencedor. Comprou um sítio onde planta café e conquistou a confiança dos eleitores de Ibiraci ao se eleger vereador pela segunda vez. Ele não é o único. Neste ano, terá ao seu lado na Câmara o conterrâneo e pintor Fábio Ribeiro Cardoso, 31, que também deixou a Bahia com o mesmo propósito.

Durante sete anos, Ginovaldo Santos viajava anualmente 1.344 quilômetros até Ibiraci para catar café. Viu na cidade mineira a chance de melhorar de vida e resolveu trazer a mulher e os quatro filhos. “Aqui é uma região produtiva, bem diferente de onde eu morava. Hoje só volto lá para visitar minha mãe.” Depois de se estabilizar financeiramente, Ginovaldo resolveu tentar a sorte na política. Mesmo sendo de fora, por influência de um amigo se filiou ao PV há cinco anos e um ano depois concorreu pela primeira vez a uma vaga de vereador.

Venceu. Gostou tanto da experiência que não quis sair. No último dia 7 de outubro, foi reeleito com 395 votos, ficando em quarto lugar. “Dizem que política só tem a porta de entrada. Quem entra não sai mais. Pretendo me candidatar novamente nas próximas eleições. Mesmo não sendo de Ibiraci, consegui o respeito das pessoas.”

SEM PRECONCEITO
Apesar de não ser filho de Ibiraci, Ginovaldo dos Santos afirma não ter encontrado dificuldade de conquistar a confiança dos eleitores. “Só enfrentei preconceito de outros candidatos que são da cidade, mas não conseguiram se eleger até hoje. Apesar dos comentários, os eleitores me elegeram. As pessoas querem ‘sangue’ novo.”

Hoje, o baiano mora com a família em um sítio distante 18 quilômetros da cidade. Tem como principal renda a plantação de café que anualmente rende, em média, 800 sacas. Uma vez por semana frequenta as reuniões da Câmara de Vereadores, de onde recebe um salário R$ 2,6 mil.