08 de julho de 2026

Servir sempre


| Tempo de leitura: 5 min

Deus é sempre bondoso e generoso em seu amor conosco

A palavra de Deus nos revela tudo isso nesse domingo. E a demonstração do carinho de Deus se revela nas atitudes que Ele indica como as melhores e mais necessárias para nós. Vejamos o que o Senhor tem para nos falar:

PRIMEIRA LEITURA: ISAÍAS 53
O anseio de todos os homens é vencer, não perder; procuram ter domínio sobre os outros, não colocar-se a serviço dos outros. Deus tem ideias diferentes e, para educar o seu povo para a aceitação deste ideal de doação da própria vida, apresentou como exemplo, desde o Antigo Testamento, o “Servo fiel”. Na primeira parte da leitura aparece o aspecto humilde desse “Servo”: brota como um pequeno arbusto no deserto, cresce numa terra sem água, não possui nenhuma das características que despertam a atenção dos homens: a beleza, o poder, a riqueza. Pelo contrário, é uma pessoa fraca, desprezada, derrotada.
A segunda parte nos esclarece sobre a forma diferente como Deus avalia a vida deste “Servo”. Aquilo que aos olhos dos homens é um fracasso, para Deus é um triunfo. É através do sacrifício, do sofrimento, do dom de si mesmo que ele realiza a salvação. Ele é a imagem perfeita de Jesus, que trouxe a salvação para os homens não com o domínio sobre eles, mas humilhando-se, prostrando-se diante deles para servi-los, doando-lhes a própria vida.

SEGUNDA LEITURA; HEBREUS 4
A passagem da Carta aos Hebreus afirma que Cristo tem a capacidade de entender todas as nossas fraquezas porque ele foi tentado em tudo, como nós; a única diferença é que, enquanto nós, frequentemente, faltamos com a fidelidade a Deus, Ele nunca foi vítima do pecado. Essa afirmação é para todos nós motivo de grande conforto. Revela-nos um Jesus muito próximo, muito sensível aos nossos problemas.
Ele não fingiu ser homem, mas o foi de fato, passou por todas as dificuldades que nós temos que enfrentar e, portanto, tem conhecimento de como é difícil manter a fidelidade a Deus, especialmente quando somos provados pelo sofrimento. Um pouco mais adiante, na mesma carta, o autor volta ao assunto e acrescenta como é difícil para o homem obedecer e aceitar a vontade de Deus.

EVANGELHO: MARCOS 10.
Jesus está a caminho de Jerusalém: vai adiante de seus discípulos em passadas rápidas e eles o acompanham temerosos, pois, já por duas vezes ele lhes tinha explicado qual seria o fim da sua viagem. Nos versículos imediatamente anteriores ao trecho deste dia, o Mestre, pela terceira vez, anuncia que será insultado, condenado à morte, flagelado e levado à morte. Os discípulos revelam total incompreensão de suas palavras. A prova dessa incapacidade de entender nós encontramos no episódio que abre o evangelho de hoje.
Dois irmãos, Tiago e João, se apresentam a Jesus e, ousadamente, na frente de todos, sem qualquer recato, lhe dizem: “Mestre, nós queremos que nos concedas tudo o que te pedimos!” Não pedem nem sequer “por favor”, mas exigem: “nós queremos”. E afirmam: “nós temos certeza que, no reino que estás para fundar, os primeiros lugares cabem a nós.”
Os dois irmãos não são discípulos comuns: são duas personalidade de destaque na Igreja primitiva; contudo, frente à proposta central da mensagem cristã, durante muito tempo revelaram total incompreensão. Jesus é severo e duro: “Vós não sabeis o que pedis”. Em seguida, porém, com o objetivo de ajudá-los a superar a própria incompreensão, serve-se de duas figuras: a do cálice e a do batismo.
A primeira lembra uma praxe muito conhecida em Israel: o pai ou quem presidisse a mesa, como gesto de estima e consideração, costumava oferecer à pessoa a quem queria distinguir, o seu cálice, para que também dele bebesse. Essa imagem aparece frequentemente na Bíblia, às vezes em sentido positivo. O cálice indica o destino, favorável ou não, de uma pessoa. Jesus está ciente que o aguarda um cálice de sofrimentos, um cálice do qual gostaria de ser poupado; sabe, porém, que deve ser bebido, para poder entrar na sua glória.
A imagem do batismo tem o mesmo sentido: indica a passagem através das águas da morte. Eles ainda não conseguem entender, preferem embalar-se na ilusão de que o cálice a ser participado com Jesus seja delicioso, esperam que seja sinal de participação à sua vitória e se declaram dispostos a sorvê-lo. Jesus respeita a lentidão deles em compreender os desígnios de Deus. Anuncia-lhes que um dia eles também participarão com ele do seu destino de sofrimento e de morte, tomarão de seu mesmo cálice, darão a sua própria vida. Em seguida responde à pergunta que lhe foi dirigida: o lugar na glória é um dom gratuito do Pai. Não é uma realidade que possa ser conquistada apresentando merecimento.
A reação indignada dos outros dez revela que também eles estão bem longe de ter assimilado o pensamento do Mestre. Novamente Jesus toma a palavra e trata com toda a clareza do tema das hierarquias no seio da comunidade cristã. O modelo a ser seguido é o do servo, que ocupa o nível mais baixo na sociedade, a quem todos dão ordens. Da mesma forma que o servo sempre está de prontidão, dia e noite, atento aos desejos do seu senhor, assim também quem exerce o ministério da presidência na comunidade cristã, deve considerar a todos como seus superiores, deve sentir-se o último e o servo de todos.
Para completar o quadro podemos elencar outras atitudes que foram condenadas severamente por Jesus, diante das quais o cristão deve sentir aversão instintiva: apresentar-se com ostentação, querer aparecer, andar com roupas luxuosas, especiais, com pomposas condecorações para destacar-se, pretender posição de destaque nas festas, exigir os títulos de “Rabbi”, “Mestre”, “Pai”. O evangelho de hoje não diz respeito somente aos que ocupam cargos de responsabilidade, mas se destina a todos os discípulos. Todos os que querem seguir o Mestre devem comportar-se como “servos”.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br