A lei dos homens, por certo, não está em desarmonia com as Leis Divinas ao determinar que a prática da pedofilia se ache tipificada entre os crimes hediondos. A exploração comercial ou violência sexual contra menores, que ainda não possuem discernimento e nem meios de defesa, há mesmo que ser severamente punida.
Não é à toa que as autoridades têm encetado campanhas contra esse tipo de ação tão reprovável quanto repugnante.
Não é por acaso que os governos têm procurado impedir a atividade de verdadeiras redes de exploração infantil em todo o mundo. Há um consenso de que é preciso agir.
Todos estamos convictos de que precisamos impedir que o mal continue se alastrando e atingindo aqueles que Nosso Mestre pediu que ‘não impedíssemos de se aproximarem d’Ele’. No entanto, embora convencidos de que é preciso agir em defesa da infância, muitos de nós nos acomodamos e nos omitimos diante da ostensiva sensualização que, entre outros meios midiáticos, a TV e a Internet despejam todos os dias nos nossos lares.
Talvez você não tenha tomado as necessárias providências familiares, por ter escapado à sua percepção que qualquer novela a que assista está, descaradamente, carregada de erotismo, apresentado como se, por princípio, fizesse parte da normalidade familiar do nosso cotidiano.
Prestemos mais atenção ao que a mídia está apresentando. Já não nos cabe dizer indiretamente, mas, ostensivamente. Promovem declarada indução ao sexo promíscuo e prematuro. E o que fazemos diante disso? Nada! Absolutamente nada! É mais cômodo sentarmo-nos no sofá e, passivamente, aceitar o que nos é oferecido em qualquer horário, sem que mostremos indignação.
Perguntará você: mas, não há um órgão de regulação etária segundo os conteúdos dos programas de TV? Sim, há. Mas eles se omitem e a enxurrada de cenas que nos constrangem diante da família é apresentada como se nada de mal estivesse acontecendo. E, cada vez mais, vamos nos alienando da responsabilidade de pais.
E tome cerveja, e tome carnaval, e tome sexo promíscuo, que assim ninguém pensa e ninguém toma consciência nem da escassez nem do excesso de presença ou ausência do Estado na vida dos cidadãos.
Seria um tanto forte dizermos que, de certa maneira, estamos sendo coniventes com a pedofilia, mas, e a nossa omissão, que permite que televisão e Internet ajam impunemente?
O dia em que tivermos a coragem de acionar o seletor de canais de TV e recusarmos a receber a carga inconveniente da Internet com vistas a preservar a saúde moral da família, certamente tais meios de comunicação serão levados a rever seus conceitos.
Até lá, por nos omitirmos, estaremos distantes de cumprir a exortação de Jesus no ‘Deixai que venham a mim as criancinhas.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca