O sapateiro Willian da Silva Nunes, 39, morador do Jardim Paulistano, que estava desaparecido desde o último sábado, foi encontrado morto ontem pelas equipes de resgate do Corpo de Bombeiros de Passos (MG). Membros da equipe de salvamento, responsáveis pela busca nas águas do rio Grande, disseram que o corpo foi encontrado a três quilômetros do local onde a vítima foi vista com vida pela última vez. “Ele foi arrastado pela correnteza. Quando a pessoa morre, durante o trajeto dela ao afundar, a corrente carrega”, disse o soldado Anderson, que deu apoio técnico à operação.
Durante as buscas, cinco bombeiros, incluindo mergulhadores, foram destacados para o local onde, com o auxílio de barcos, foram feitas várias varreduras. Dois fatores atrapalharam a ação dos bombeiros. Devido à profundidade e às grandes dimensões do rio, o trabalho dos bombeiros era feito através de pontos de referência passados por testemunhas. “O pessoal mergulhava nos locais informados, mas não tinha nada. Daí o pessoal subia e vinha outra pessoa e falava que era um pouco mais adiante.”
Outro fator que dificultava a ação dos bombeiros era a dependência de luz natural. Segundo o soldado, uma portaria baixada pela Marinha proíbe as equipes de entrarem na água em período noturno para fazer busca e salvamento.
Com a ajuda de amigos e familiares, ontem, às 9 horas da manhã, o corpo de Willian foi encontrado flutuando sobre as águas. Eles identificaram o cadáver e tiveram que acionar a empresa funerária que deslocou de Franca até Passos para transportar o corpo do sapateiro até o IML (Instituto Médico Legal) da cidade mineira. “É uma falta de consideração tremenda. Ficamos com ele das 9 às 15 horas esperando as autoridades (Polícia Científica) na beira do rio. Meu irmão estava se decompondo na nossa frente e ninguém fazia nada. Então, resolvemos acionar, por nossa conta, a Funerária Francana”, disse, indignado, o irmão da vítima Wanderson da Silva Nunes.
Segundo a família, o sapateiro estava em um rancho na companhia de irmãos na cidade de Delfinópolis (MG) quando resolveu atravessar o rio a nado. Por algum motivo, que está sendo investigado pela Polícia Civil de Passos, ele não conseguiu chegar à margem e se afogou. “Ele era como se fosse um irmão para mim. Crescemos juntos e foi muito desesperador ver ele naquele estado. A mãe dele já está fragilizada porque perdeu outro filho há oito meses”, disse o vendedor Jason Inácio Oliveira Silva, 36, amigo de Willian.
Segundo os funcionários da funerária Francana, devido às más condições do corpo, o sapateiro não será velado e o sepultamento acontecerá no Cemitério Santo Agostinho, às 8 horas desta quarta-feira.