08 de julho de 2026

Professor mal pago


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Já houve um tempo em que os alunos ficavam em pé quando o professor entrava na sala. A despeito de ser um pouco exagerada para os tempos mais informais que vivemos, essa atitude trazia embutida uma boa dose de respeito pelo profissional que ali estava, até mesmo um pouco de admiração, afinal ele encarnava o caminho para o conhecimento, ou talvez o próprio conhecimento.

Mas hoje os tempos são diferentes. Infelizmente, já não resta mais nada de admiração pelo professor, e nem tampouco respeito. Apesar da importância da educação para o desenvolvimento do país, sobretudo em um mundo em que a tecnologia exige cada vez mais a especialização dos saberes, esse profissional já não é tão valorizado como era antigamente.

Pode-se dizer até mesmo que ele experimenta hoje em dia certo ostracismo. Com o fim da hegemonia da escola enquanto fonte de saber, uma vez que a informação e o conhecimento estão atualmente disseminados em várias outras fontes e canais, é possível afirmar que o professor perdeu aquele status que antes mantinha em tempos passados.

Mas não perdeu apenas glamour, infelizmente. Perdeu também em termos de remuneração. E perdeu bastante. É o que mostram os dados de um estudo realizado pelo banco suíço UBS. Coordenada por economistas, essa pesquisa aponta que professores brasileiros em escolas de ensino fundamental têm um dos piores salários de sua categoria em todo o mundo e recebem uma renda abaixo do Produto Interno Bruto (PIB) per capita nacional.

O estudo mostra que um professor do ensino fundamental em São Paulo ganha, em média, US$ 10,6 mil por ano. Esse valor é apenas 10% do que ganha um professor dessa mesma fase em Zurique, na Suíça, que seria na faixa de US$ 104,6 mil por ano.

Em uma lista de 73 cidades, apenas 17 registram salários inferiores aos de São Paulo, que hoje ostenta um dos maiores custos de vida do planeta. Entre elas estão Nairóbi, no Quênia, Mumbai, na Índia, e Lima, no Peru. Em quase toda a Europa, nos EUA e no Japão, a média salarial desses professores é pelo menos cinco vezes superior a de um professor paulista.

Está na hora de acordarmos para esse problema. No Brasil, de forma geral, já começa a faltar professores em várias áreas do conhecimento e muitos dos que hoje aí estão encontram-se despreparados para o desafio que vão enfrentar.

Mas se quisermos realmente resolver o problema, basta olhar para o que a Coréia fez há 30 anos e o que a China já começou a fazer há algum tempo, ela que atualmente domina todos os exames e avaliações internacionais.

A questão não é tão complicada. É política.