Setembro de 2010. Foi nessa data que um exame de rotina mudou a vida da assistente social Eliane Bonini, 45. Através de uma mamografia, Eliane descobriu um tumor maligno no seio. Acostumada a fazer exames de prevenção de câncer de mama, a notícia caiu como uma bomba. “Meu câncer não dava para ser detectado no autoexame. Era mais profundo. Não havia suspeita nenhuma, fui pega de surpresa”, lembra.
Dor, sofrimento e morte eram coisas que “martelavam” a mente de Eliane. “Você acha que vai morrer. É uma coisa de louco. Eu nem conseguia falar ‘estou com câncer’. Eu dizia: ‘estou com um caroço, com um nódulo’.” O tumor da assistente social tinha 3 cm de largura e 4 cm de altura. Foi preciso uma mastectomia de quadrante (remoção da parte afetada) para retirar o câncer.
Depois da cirurgia vieram oito sessões de quimioterapia e 33 de radioterapia. Junto ao tratamento, veio também o sentimento de que é preciso força para vencer a doença. “Aceitei que estava com o câncer e que tinha que reagir a isso para não cair em depressão. Minha fé e o apoio da minha família também ajudaram muito.”
Onze meses depois, Eliane já não tinha mais indício algum do câncer. Nesse meio tempo, além da vontade de se curar, a assistente social criou ainda uma casa de apoio para auxiliar pacientes que sofrem do mesmo problema. “Encarei a doença como um chacoalhão. Acho que Deus queria algo em troca. Foi aí que tive a ideia de criar a casa de apoio”, diz .
O Iansa (Instituto Nossa Senhora Aparecida), no bairro Jardim do Éden, acolhe pacientes da região que fazem tratamento no Hospital do Câncer. rios, o Instituto oferece alientação e hospedagem a pacientes e acompanhantes.
Outubro Rosa
A história de Eliane se repete com pelo menos uma mulher de Franca todos os dias. No Hospital do Câncer de Franca, somente este ano foram diagnosticados 361 novos casos de câncer de mama. O número, de acordo com a assessoria de imprensa da unidade, é ainda maior, uma vez que os pacientes encaminhados para o tratamento no hospital são catalogados por especialidade clínica. “Esses 361 casos vêm de consultas da mastologia. Mas há muitos casos de câncer de mama contabilizados em oncologia clínica, por exemplo”, explica Lila Crespo, coordenadora de relacionamento com a comunidade do hospital.
Neste mês do “Outubro Rosa”, movimento mundial de luta contra o câncer de mama, o ginecologista Flávio Gaspar Tozatti diz que a melhor forma de prevenção é o autoexame, com a apalpação das mamas feita pela própria mulher. O médico aconselha que o toque seja feito logo após o ciclo menstrual. “Nesse período a mama está menos inchada, o que torna mais fácil detectar alguma alteração.”
No entanto, os exames de mamografia são de extrema importância, principalmente para mulheres acima de 40 anos, faixa etária em que há maior incidência da doença. “Recomendamos a mamografia para pacientes a partir dos 40 anos, salvo aquelas com histórico de câncer na família, já que o fator genético aumenta o risco da doença”, afirma. Para mulher de 40 a 50 anos, o ideal é que se faça uma mamografia a cada dois anos. Após os 50 anos, o exame deve ser feito anualmente.
A reportagem solicitou à Secretaria Municipal de Saúde o número de mamografias realizadas este ano no município, mas não obteve resposta. O Hospital São Joaquim também não divulgou o número de pacientes com câncer de mama em tratamento.