A Associação Atlética Francana torna-se hoje integrante de um seleto grupo: a dos clubes centenários. Mesmo longe das capitais, a Veterana ultrapassou o século XX cumprindo seu papel de representar a cidade e seu povo. Ao longo do caminho, a agremiação arrebanhou simpatizantes e viveu momentos de glória como quando esteve entre as melhores equipes paulistas. Um almoço na sede do clube marcará a data.
Esta história teve início em uma tarde de 1912 quando alguns rapazes residentes em Franca decidiram repetir aqui a onda de criação de clubes voltados a um esporte relativamente novo no Brasil. O football teve regras e apetrechos desenvolvidos na Inglaterra, mas encontrou entre os brasileiros um terreno fértil para crescer e se desenvolver. Sem Franca, professores, comerciantes e depois trabalhadores o tinham como fonte de divertimento. David Carneiro Ewbank, professor de matemática, aliou-se a Beneglides Saraiva e Sabino Loureiro, também professores, e mais uma dezena de companheiros para fundar um ‘grêmio de futebol’. A ideia foi discutida e vingou, tanto que cinco dias depois a ata de fundação da Francana foi lavrada em nova reunião. Ewbank tornou-se o primeiro presidente esmeraldino e Homero Pacheco Alves, o secretário.
A sede acabou fixada na casa do próprio presidente e o campo de jogo era o da Caixa D’Água, utilizado mediante pagamento de aluguel. Os treinos ocorriam em um terreno ao lado dos Irmãos Maristas, hoje Champagnat. Adversários não faltaram nestes primórdios. O mais ferrenho foi o Sport Clube Fulgêncio de Almeida, mas havia ainda o Comercial Futebol Clube, Esporte Clube Guarani, São Paulo Futebol Clube, Clube Atlético Mogiana, todos locais. Rio Branco (Uberaba) e Comercial (Ribeirão Preto) surgiram como maiores rivais fora de Franca.
Dificuldades não faltaram nos primeiros dez anos de existência do clube francano. Mas a medida que o tempo passou os dirigentes esmeraldinos, motivados por doações de vários deles, criaram um patrimônio invejável. A obra mais significativa foi o ‘Estádio da Bela Vista’, mais tarde denominado ‘Cel Nhô Chico’. Durante anos o terreno do estádio passou por obras. Ele foi murado e nivelado em 1919, teve as arquibancadas construídas em 1920 e, finalmente, acabou inaugurado em 1922. Em 11 de junho, três mil pessoas assistiram a missa campal de manhã, o hasteamento de bandeiras e o jogo Francana x Sírio (São Paulo) à tarde. Um banquete e um baile para atletas, dirigentes, imprensa e sociedade em geral, encerrou a festa. A Francana já tinha uma casa, restavam os títulos.
Ao dominar o cenário futebolístico da cidade, a Francana voltou-se à região. Filiou-se a Apea (Associação Paulista de Esportes Atléticos) e iniciou participação no Campeonato da Mogiana, caminho único para tentar ser o melhor time do Interior paulista.
Na primeira chance que teve, a Francana vacilou. Em 1921, o time perdeu a final do Torneio da Mogiana para o Comercial, de Ribeirão Preto. Dois anos depois veio o título com vitórias sobre o Botafogo, também de Ribeirão, tanto em casa quanto fora: 2 x 0 e 4 x 2. A derrota para o Rio Branco tornou o alviverde local vice-campeão do Interior.
O sonho esteve próximo de se tornar realidade em 1925. A Francana bateu adversários tradicionais da região e foi campeã invicta da Mogiana. A campanha entrou para a história. Em 12 confrontos, o time local marcou 37 gols. Só que o Velorioclarense impediu o título estadual esmeraldino ao fazer 3 a 1 na partida final.