O polo calçadista de Franca alcançou no último mês de agosto o maior número de empregados com carteira assinada desde 2008. São 29,4 mil funcionários na indústria de acordo com o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), que comemorou a marca. Segundo a assessoria da entidade, o acumulado contradiz o cenário estadual e nacional que apresentaram queda no setor. Os dados são referentes ao período de oito meses, a contar de janeiro e têm como base o Ministério do Trabalho.
Comparado ao ano de 2008, o setor ganhou 1.673 trabalhadores em quatro anos. Um crescimento de 6%. Nesses quatro anos, a maior baixa ocorreu em agosto de 2009, quando foram registrados 25.001 trabalhadores nas indústrias calçadistas da cidade, o menor saldo desde 2003, quando o setor teve 22.020 empregados no referido mês.
Para o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, o avanço no número de funcionários é reflexo de uma soma de fatores como a redução do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) do setor - anunciada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em abril deste ano - e as medidas fiscais impostas pelo Governo Federal, como o antidumping para barrar a entrada de calçados chineses no país. “Também colaborou o empenho dos empresários, que têm investido em design, na busca de novos mercados e apresentado um produto arrojado, confeccionado com alta tecnologia.”
O diretor da Calvest, José Luís Granero, disse que contratou neste ano 50 novos funcionários para trabalhar na fábrica e só não fez novas admissões pelo fato de estar no limite de produção. “Não há espaço físico e, por isso, perderemos vendas já que o mercado está crescente.” A Calvest tem 440 funcionários e produz 5 mil pares por dia.
Na avaliação do professor e coordenador do Núcleo de Administração da Unifran (Universidade de Franca), Aécio Flávio Lemos, o crescimento é positivo e mostra que o setor calçadista continua forte na cidade. “Apesar da diversificação da economia, o calçado se mantém importante e suscetível às mudanças econômicas do país e do mundo.” Segundo Lemos, a desvalorização do real perante o dólar e os benefícios anunciados pelos governos favoreceram a indústria calçadista francana. “A exportação está maior e os empresários estimulados. Tudo isso é positivo e bom para a cidade.”