08 de julho de 2026

Geração nem-nem


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Franca tem quase 5 mil jovens que não trabalham nem estudam. Um sério problema para o futuro

A tônica do homem em sua jornada por esse mundo sempre foi o trabalho. Tão importante quanto a racionalidade é o trabalho de transformação da natureza que nos diferencia dos outros animais, uma vez que nós humanos agimos sobre ela e não simplesmente nos adaptamos a ela, como fazem os nossos ‘amigos’ do reino animal.

Mas para chegar ao nível que chegamos, nos termos dessa transformação, foi necessário agregar a esse trabalho outro de igual importância, um trabalho de reflexão sobre o próprio trabalho realizado, que ao longo de nossa evolução resolvemos denominar de estudo.

Foi assim que chegamos até aqui. Entre trabalho e estudo construímos cidades, nações e uma incrível parafernália de equipamentos que aos poucos foi modificando nosso modo de viver e de nos organizarmos enquanto comunidade.

Nesse sentido, é preocupante pensar na existência de seres humanos que fazem parte de um grupo denominado por estudiosos como ‘geração nem-nem’, que nem estudam nem trabalham. Mais preocupante ainda é saber que esse grupo é formado por jovens, justamente aqueles que deveriam estar sendo preparados para a continuidade e a evolução futura da humanidade. E seguindo nessa linha de raciocínio, não menos incômodo é perceber que esse número vem aumentando, mesmo que em pequenas proporções, conforme dados do IBGE divulgados por este Comércio na quarta-feira, 03/10.

De acordo com esses dados, aproximadamente 11% dos jovens francanos entre 18 e 25 anos estão nessa situação. São quase cinco mil, contra 4.484 contabilizados na pesquisa realizada há 12 anos.

As principais explicações se concentram em um possível desinteresse desses jovens, uma característica que seria própria dessas novas gerações. Um desinteresse que se estende pelas normas de cidadania e pelo convívio social, tornando-os indiferentes ao que se passa ao seu redor. Um desinteresse que com certeza esbarra também em uma enorme discrepância entre aquilo que nossa moderna sociedade oferece em termos de possibilidade de consumo, prazer e hedonismo e aquilo que esses jovens concretamente conseguem alcançar.

Mas se o desinteresse realmente for a causa, fica pelo menos mais fácil sanar o problema. Basta que nossa sociedade e nossas autoridades tornem a vida mais interessante para esses jovens. Em primeiro lugar, seria preciso que as famílias se conscientizassem de sua responsabilidade e tornassem suas casas e o convívio familiar mais interessante, sem brigas, maus tratos ou desavenças que extrapolem a normalidade de uma vida em conjunto. Em segundo lugar, é imperioso que se invista maciçamente em educação, tornando nossas escolas e nosso sistema de ensino bem mais interessantes e produtivos do que são hoje em dia.

Se assim procedermos, talvez em pouco tempo possamos abrir para esses jovens novas perspectivas de convivência social, de trabalho e de conquistas, todas elas bem mais interessantes do que as oferecidas hoje em dia.