08 de julho de 2026

Apare parou


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Associação que trabalhava na ressocialização dos presos suspendeu suas atividades, o que é ruim e preocupante

Mais que um trocadilho ingênuo, o fim das atividades da Apare (Associação de Proteção e Amparo ao Reeducando e ao Egresso), que oferecia trabalho para presas da Cadeia Feminina do Jardim Guanabara, deveria preocupar.

Se fôssemos ao cerne da questão, talvez ela nem devesse existir. Afinal, o conceito e o propósito de todos os sistemas carcerários, de forma geral, estão ligados à reeducação do preso e sua posterior reinserção na sociedade. A idéia principal é a de recuperação e não a de punição, pura e simplesmente.

Essas intenções, porém, são de fazer rir nos dias de hoje. Já é mais do que sabido que o sistema prisional brasileiro está muito longe de qualquer possibilidade de recuperação de um detento. Ao contrário, com o tempo a imensa maioria dos presídios se transformou em verdadeiras escolas formadoras de bandidos e criminosos dos mais variados tipos e ‘quilates’, alguns, inclusive, com excelentes ‘cursos de pós-graduação’.

Nesse sentido, organizações da sociedade civil que venham a trabalhar pela ressocialização dos detentos após o cumprimento de suas penas, apesar da redundância conceitual, têm na prática uma enorme importância para a paz e para a tranquilidade social.

Gostemos ou não, ressocializar um ex-detento é fundamental para afastá-lo da reincidência no crime. Faz parte do sistema. Se ao sair da prisão ele não conseguir de alguma forma se reintegrar ao todo social, certamente voltará à criminalidade, o que significa, no fundo, a reincidência de um problema social e toneladas de recursos públicos jogado no lixo, já que todo o sistema não serviu para nada.

Nesse sentido, enquanto não encontrarmos uma forma de consertarmos nosso sistema penitenciário, ou pelo menos de fazê-lo funcionar minimamente, seria importante contar com o trabalho dessas associações que geralmente funcionam sob o regime de voluntariado.

O apoio do Estado e da Prefeitura, nesses casos, poderia até ser mais econômico e estratégico, para não dizer inteligente. Ao investir nessas associações, com a devida e imprescindível fiscalização, talvez conseguissem diminuir o montante de recursos públicos que hoje é investido em policiamento e fiscalização, já que muitos ex-presidiários poderiam efetivamente alcançar a ressocialização.

Infelizmente, porém, parece que nossas autoridades, como também boa parte de nossa comunidade, não se preocupam verdadeiramente com essa questão, a não ser no momento em que experimentam algum dissabor relacionado à criminalidade. De resto, muitos talvez acreditem que seja realmente um desperdício investir recursos públicos em bandidos que deveriam apenas pagar pelo que fizeram de errado, em qualquer lugar e de qualquer maneira.

Mas as coisas não são bem assim. É preciso urgentemente investir na questão penitenciária, assim como na ressocialização e na reinserção de seus egressos. Os presídios já estão superlotados, as leis facilitam a soltura de presos e as ‘escolas’ de bandidos cada vez mais eficazes.