Eleitores de Franca denunciaram a prática de boca de urna em diversos locais de votação espalhados pela cidade. Nos cartórios eleitorais, as reclamações eram poucas, mas a redação do GCN recebeu diversos telefonemas apontando a prática ilegal.
Na escola “David Carneiro Ewbank”, na Vila Nova, um candidato a vereador chegou a jogar santinhos dentro dos carros que passavam com os vidros abertos pela rua Alberto de Azevedo. Segundo uma ouvinte da Difusora, na Escola “Otávio Martins”, na Vila Chico Júlio, um candidato a vereador e seus cabos abordavam os eleitores colando adesivos em suas roupas e colocando santinhos em seus bolsos.
Ainda perto da “Otávio Martins”, um assistente de cobrança foi autuado à tarde por fazer boca de urna. Após denúncia de populares, a Polícia Militar foi ao local e encontrou João Ivailto do Prado, morador do Bairro Miramontes, com 470 panfletos do candidato a vereador Carlinhos Miramontes (PP). O assistente de cobrança foi conduzido ao 5º Distrito Policial e autuado em flagrante. Ele responderá em liberdade a acusação e não quis comentar sobre o caso.
Uma promotora de eventos também foi autuada em flagrante perto da Escola Estadual “David Carneiro Ewbank” (Cede), na Vila Santos Dumont, fazendo propaganda eleitoral ilegal. A polícia chegou até o local após denúncias feitas por eleitores que eram abordados antes de entrar na escola e votar. Doralice Borges, 49, alegou que estava a 100 metros da local de votação, próxima a uma praça e que não estaria fazendo “boca de urna”. A promotora foi revistada e com ela foram encontrados 215 cartões do candidato a vereador Deoclécio Deodato (PMDB). Ela é outra pessoa na cidade que responderá em liberdade a processo de propaganda partidária ilegal. Registros da prática ilegal de propaganda eleitoral no dia da votação também ocorreram nas escolas “Caetano Petráglia” e “Homero Alves”.
A VOTAÇÃO
Algumas urnas eletrônicas precisaram ser substituídas. Na Escola Estadual “Evaristo Fabrício”, no Jardim Aeroporto I, a urna da seção 237ª apresentou problemas técnicos e teve que ser trocada. Segundo uma das coordenadoras da escola, a substituição foi realizada rapidamente, de modo que não prejudicou o andamento da votação.
No mais, a eleição foi tranquila. Logo nas primeiras horas da manhã, moradores de bairros próximos a escolas estaduais e municipais foram votar. Antes deles, mesários e fiscais convocados pela Justiça Eleitoral estavam a postos, a partir das 8 horas da manhã, horário oficial de abertura das urnas eletrônicas.
Um fato inusitado foi a maneira como três eleitores chegaram para votar na Escola Estadual “Amália Pimentel”, no Jardim Francano: a cavalo. Dois deles são primos, os vendedores Antônio Marcos, 27, e Lucas Renato, 29, e estão acostumados a cavalgar pela cidade aos fins de semana. Para votar, não quiseram transporte diferente. Enquanto elegiam seus candidatos, os cavalos ficaram “estacionados” do lado de fora da escola, amarrados em uma árvore.
Nos pontos de votação, o problema enfrentado pelos eleitores foram as calçadas e ruas abarrotadas de santinhos de políticos. Muitos eleitores também se confundiram na hora da votação e acabaram “perdendo” o voto. Primeiro deveriam digitar na urna eletrônica o número do candidato a vereador e depois prefeito, mas teclaram primeiro o do prefeito e, sem prestar atenção, confirmaram o voto. Não havia como reiniciar a votação.