As farmácias deixaram de ser alvo apenas dos hipocondríacos (viciados em remédios). Segundo informações da Polícia Militar, desde janeiro deste ano até a última quarta-feira, 36 drogarias, em vários bairros da cidade, foram assaltadas. A média é de um roubo por semana. Os crimes geralmente têm as mesmas características. Homens com capacetes e armados com revólver chegam em uma moto. Um entra e pega o dinheiro, quase sempre quantias maiores que R$ 100, enquanto o outro mantém a moto ligada para a fuga.
A PM não apresentou estatísticas do ano passado, mas considera que o aumento de roubos à farmácia é “normal” em comparação a crimes em outros estabelecimentos comerciais. Ainda de acordo com os militares, os bandidos esperam o afastamento do policiamento para atacar, o que dificulta a prisão dos suspeitos. “A oportunidade faz o ladrão”, disse o coordenador operacional do 15º Batalhão da Polícia Militar, major Marcelo Trevisan (leia mais nesta página).
Na última sexta, um homem moreno, armado com revólver e usando capacete, assaltou uma farmácia por volta das 19h30, na avenida Adhemar Pereira de Barros. Um balconista de 21 anos foi rendido pelo ladrão, que pegou R$ 100 e fugiu com um comparsa de moto. “Suspeitei da arma que era meio velha. Na hora que ele [o assaltante] virou as costas, eu corri atrás. No que eu cheguei na esquina, eles montaram e fugiram. Não deu pra ver a cor da moto nem a placa”, contou o balconista.
Foi a segunda vez que o jovem, funcionário de farmácia há quatro anos, foi roubado. Na farmácia da zona leste, ele trabalha há cinco meses. “Uma cliente que estava na farmácia pensou que o ladrão era um amigo meu fazendo brincadeira e saiu. No outro dia ela veio comentar.”
A rede de drogarias em que o balconista trabalha possuía nove unidades em Franca. Uma delas fechou as portas no Residencial Ana Dorothea, depois de sete assaltos consecutivos. Para evitar novos crimes, as unidades agora baixam as portas às 20 horas. “Nos dias em que a avenida está meio parada, fechamos mais cedo para não correr o risco deles levarem o que a gente soa para ganhar durante o dia”, disse o funcionário.
Uma farmacêutica de 31 anos, funcionária de um estabelecimento no Jardim Luiza há cinco anos, disse que já foi assaltada três vezes. A última foi no mês passado. Dois homens armados com um revólver e encapuzados levaram R$ 700 em dinheiro. Nem as câmeras de segurança inibiram os ladrões. Ninguém foi preso. “Foi coisa de dez segundos. Eles levaram tudo [que tinha no caixa]”, afirmou a farmacêutica.
Em janeiro, o dono da drogaria investiu R$ 2 mil em aparatos de segurança. Nem isso tranquiliza a mulher, que fica sem companhia na loja até as 20h30, sem ninguém para ajuda-la. “Eu fico sozinha. Eu fico assustada. Infelizmente, não temos outra opção. Dá vontade [de parar]. Infelizmente, a criminalidade hoje está difícil”, disse, com a voz hesitante, ao ser perguntada sobre o futuro do negócio.