15 de março de 2026

Candidatos a prefeito de Franca elevam tom de críticas no final


| Tempo de leitura: 7 min
Cabos eleitorais de Gilson Pelizaro e Graciela Ambrósio acompanham debate do GCN

Os sete prefeitáveis de Franca se enfrentaram na última quinta-feira. Tido como estratégico pelos coordenadores de campanha, o debate promovido pelo GCN durou quase três horas.

Diferente de outros embates, em que o clima foi enfadonho, na quinta os candidatos estavam mais afiados. Elevaram o tom das críticas ao governo Sidnei Rocha (PSDB) e trocaram ataques em diversas oportunidades.

Marcelo Bomba (PTC) e Gilson Pelizaro (PT) foram os mais duros contra a atual administração. Já nas apresentações iniciais, Bomba deu mostras de que seria agressivo. “Eu vim para um debate, não para uma missa”, avisou.

Gilson lembrou os recentes problemas na área de Saúde e prometeu realizar um mutirão para acabar com a fila de espera por cirurgias eletivas. “Vou fazer o que eles não fizeram”, disse.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Graciela Ambrósio (PP) adotou a estratégia de não provocar, mas reagiu com firmeza toda vez que foi atacada.

Alvo principal das críticas e ataques dos adversários, Alexandre Ferreira (PSDB) parecia apático. Enquanto era atacado, mal olhava para os adversários. Passou boa parte do tempo brincando com a garrafa de água e provocando Graciela. Por duas vezes, se perdeu na hora de responder aos questionamentos e precisou ser chamado pelo mediador.

Bastante cansado, Marco Aurélio Ubiali (PSB) também não teve um bom desempenho, mas subiu o tom das críticas ao governo Sidnei Rocha. Chegou a acusar a atual administração de ter licitações fraudulentas e obras superfaturadas.

Hamilton Chiarelo (Psol) e Cassiano Pimentel (PV) mantiveram seus discursos, falando sobre seus planos de governo e pouco atacando.

A exceção ficou por conta do momento em que Chiarelo insistiu em dizer que Graciela Ambrósio havia votado contra um projeto para construção de casas populares. Foi confrontado pela vereadora.

O desempenho
ALEXANDRE FERREIRA (PSDB)
A apatia do candidato no debate tucano chamou a atenção. Em vários momentos, parecia bastante distraído. Brincou com a garrafa de água e com os papéis na bancada. Classificou os problemas da Saúde como “tranquilos” e elegeu a Educação como o setor mais complicado. Reafirmou que a Santa Casa de Franca não tem condição de realizar cirurgias eletivas, mesmo com o governo do Estado e a direção do hospital dizendo o contrário. Foi evasivo ao falar sobre habitação. Atribuiu a dívida da Prefeitura à administração petista de Gilmar Dominici. Demonstrou desconforto ao tentar explicar a ausência do secretariado da Prefeitura de Franca. “Eles tem que trabalhar e não fazer campanha”. Provocou a candidata Graciela Ambrósio, que estava do seu lado, e Ranieri Melo, candidato a vice-prefeito de Marcelo Bomba (PTC). Ambos revidaram as provocações. No final, defen-deu ser o candidato da situação e pediu votos ao eleitor. "Eu sou o único que vou dar continuidade aos programas do go-verno Sidnei Rocha".

CASSIANO PIMENTEL (PV)
O candidato demonstrou tranquilidade durante quase todo o debate - alterou-se apenas uma vez quando questionado sobre sua fala muito vezes técnica e de pouco entendimento por parte da população. Defendeu-se dizendo que se considera objetivo. Cassiano atacou a atual administração apenas uma vez e não foi atacado. Elegeu a Saúde como o maior problema da cidade. Defendeu a implantação de novos núcleos do Programa de Saúde da Família e a contratação de mais médicos e funcionários através da criação de uma fundação. Também defendeu a melhora da qualificação dos trabalhadores como política para que haja uma evolução nos atuais padrões salariais da mão de obra da cidade. Sobre o combate às drogas, principalmente entre os jovens, disse que é preciso olhar pelo lado social na tentativa de conhecer os usuários e não deixá-los à mercê dos traficantes. Afirmou que a atual administração não teria construído 26 escolas, mas sim 16. Disse que a gestão tucana não deixará legado de planejamento.

GILSON PELIZARO (PT)
Preocupado em criticar o governo Sidnei Rocha (PSDB), esqueceu-se de expor suas propostas. Nas apresentações iniciais, disse que o que falta em Franca não é dinheiro e, sim, projetos. “Propostas muitos apresentaram, mas como executar, poucos sabem”. Ao ser perguntado sobre se daria continuidade aos projetos de trânsito iniciados, respondeu que não seria irresponsável. “Vou terminar o viaduto da Avenida Major Nicácio, mas a cidade tem vários gargalos no trânsito que precisam ser resolvidos”. Lembrou que, em audiência pública, o prefeito Sidnei teria garantido o congelamento do preço das passagens de ônibus por dois anos, mas não o fez. Prometeu uma auditoria na planilha da Empresa São José e redução da tarifa. Criticou a propaganda eleitoral tucana, que segundo ele mostra uma "Sidneilândia", uma cidade virtual. Gilson só se alterou ao ser questionado sobre a ausência do ex-prefeito Gilmar Dominici em sua campanha. “Não tenho qualquer constrangimento em ter meu nome ligado ao do Gilmar”.

GRACIELA AMBRÓSIO (PP)
Única mulher na disputa, Graciela Ambrósio demostrou bom desempenho. Melhor, quando foi atacada. Reagiu com firmeza ao ter sua atuação na Câmara de vereadores questionada por Hamilton Chiarelo (Psol) e Ubiali (PSB). A delegada elegeu a falta de planejamento como o maior problema da cidade por “falta de vontade política”. Revelou que há recursos do Governo Federal no valor de R$ 30 milhões disponíveis para Franca, mas que o prefeito nunca foi buscar. Classificou a compra do prédio conhecido como “esqueleto” de absurda. Na Segurança, disse que cobrará o Estado para aumentar o número de policiais em Franca e que vai reestruturar a Guarda Civil Municipal. Justificou ter votado contra projeto na Câmara para implantação de moradias, em 2009. “A lei favorecia as empreiteiras e feria a lei de responsabilidade fiscal”. Ironizou o apoio de Sidnei a Alexandre. “Escolher o prefeito, é como escolher alguém para cuidar dos filhos. Não basta ter carta de recomendação. Continuar é muito pouco. Precisamos evoluir”.

HAMILTON CHIARELO (PSOL)
O candidato, durante todo o debate, manteve as mãos firmes na bancada e não soltou o terço que segurava na mão esquerda. Disse que “problema é o que não falta” em Franca, mas elegeu a saúde como o que merece maior atenção. Quer implantar 35 nucleos do Programas Saúde da Família, construir quatro UPAs e implantar um hospital municipal. Disse que extinguirá a maioria dos cargos de comissão. Classificou o trânsito como outro problema grave e apontou a construção de um anel viário como única forma de acabar com congestionamentos, principalmente no Centro. Criticou a compra do “esqueleto” e disse que devolverá o imóvel se for eleito. “Eu fiquei indignado com esta compra de compadres”, disse. Acusou a vereadora Graciela Ambrósio de votar contra um projeto para construção de casas populares. Classificou a atual composição da Câmara de Franca como a pior dos 35 anos em que mora na cidade. No final, disse que a população ouve tantas mentiras que elas acabam parecendo verdade.

MARCELO BOMBA (PTC)
Foi o mais enfático nas críticas ao go-verno atual e aos adversários. Prometeu, se eleito, fazer uma auditoria porque “a rapinagem tomou conta da instituição (Prefeitura)”. Classificou o governo de Sidnei Rocha (PSDB) como “uma farsa, uma vergonha” e defendeu a construção imediata de um hospital municipal. Disse que falta vontade política da administração atual para a construção de casas populares e que o atual governo assinou o projeto “Minha casa minha vida” em 2009, mas que não construiu nenhuma casa “por inte-resses pessoais”. Classificou a Prohab como cabide de emprego. Declarou que Alexandre Ferreira passou a campanha toda sem apresentar propostas. Acusou a Vigilância Sanitária de levar animais de grande porte apreendidos para a fazenda de um dos candidatos e classificou as ações trabalhistas contra a Prefeitura como “herança maldita do PSDB”. Arrancou gargalhadas ao dizer que foi o candidato que mais cresceu, ao passar de zero para 1% de intenção de voto.

MARCO UBIALI (PSB)
A saúde foi apontada por Ubiali como principal problema de Franca. Prometeu a construção de um parque industrial ao lado do aeroporto para incentivar a indústria local da aviação. Acusou a Prefeitura de não ter cobrado da Sabesp um novo ponto de captação de água. Defendeu a implantação de escolas em tempo integral e a criação de cursos profissionalizantes. Acusou a candidata Graciela Ambrósio (PP) de não ter ido a Brasília em busca de projetos junto ao governo federal. Sobre sua relação com o governo de Sidnei Rocha, foi evasivo. “Reconheço que Sidnei conseguiu muitas coisas, mas não conseguiu trabalhar com as verbas federais”, alegou. Depois, em outro momento do debate, ainda acusou a atual administração de ter licitações fraudulentas e obras superfaturadas. Defendeu que para a cidade sair da estagnação é preciso um trabalho conjunto com todos os setores. Prometeu um governo transparente, deixando os números sempre à disposição para quem desejar fiscalizar.