Em 10 anos, exportação de calçados diminuiu 58%. Apesar de o número assustar, esse não é o grande problema
De certa forma, o número assusta, sobretudo em um momento de muitas incertezas em relação ao futuro da indústria calçadista brasileira. Porém, é preciso relativizar um pouco essa diminuição das exportações. Em primeiro lugar, porque as vendas para o mercado interno cresceram no sentido inverso, aumentando em 34% nesse mesmo período.
Perdemos de um lado, mas ganhamos de outro. A questão principal não está no mercado interno ou externo. O mais importante é tentar entender o contexto, analisar corretamente o ambiente e traçar as estratégias corretas não apenas para sobreviver nesse mercado cada vez mais competitivo, mas sim para continuar crescendo e gerando riquezas para a cidade e para a região.
Nesse sentido, a história poderia ajudar. Se ela não traz previsões para o futuro, ao menos mostra o que já aconteceu, abrindo a possibilidade de reflexão sobre o presente e o futuro.
E nesse retrospecto, vamos perceber que o país passou boa parte de existência ao sabor do mercado internacional, o que trouxe muita instabilidade para toda a sociedade. Em função disso, muita riqueza se perdeu e várias empresas faliram, o que sempre causou graves problemas sociais. Podemos confirmar isso em vários momentos. Cana-de-açúcar no nordeste, borracha em Manaus, algodão no Maranhão e café em Minas e São Paulo, para além do ouro e dos diamantes na região de Ouro Preto e Diamantina.
Mesmo em Franca é possível perceber essas oscilações. Muitas de nossas grandes empresas já foram vítimas do mercado internacional e tiveram que fechar suas portas. Em Americana, especializada na produção de tecidos, pode se encontrar a mesma situação, assim como em várias outras cidades do país.
Isso, obviamente, não significa que exportação é ruim. Longe disso. Para quem produz, o importante é vender, seja para o exterior ou para o mercado interno, sobretudo em tempos de globalização. O que isso significa é que durante todo esse tempo nossos empresários não fizeram da melhor forma a lição de casa. Sem planejamento adequado, estudo de estratégias e análises de cenário, se torna difícil a rápida execução de um plano emergencial e se fica mais vulnerável às oscilações de mercado.
Nesse sentido, não importa se as vendas crescem ou diminuem para cá ou para lá. O importante é que o empresário esteja preparado para as oscilações que sempre virão. Que saiba planejar, sobretudo. Que consiga treinar e motivar funcionários, reduzir custos de forma inteligente, racionalizar ao máximo a produção, vender e distribuir de maneira competitiva e diferenciada e, acima de tudo, posicionar a marca de tal forma que ela consiga superar os concorrentes na percepção dos consumidores.
Se fizerem isso, venderão dentro e fora do Brasil, e ficarão menos vulneráveis às oscilações de mercado.