A partir da segunda quinzena de outubro, o café da manhã pesará mais no bolso do francano. Pão e leite, itens básicos das refeições matinais, devem sofrer alta de 10% e 20%, respectivamente. No caso do pão, o principal motivo para o aumento é a alta do preço da matéria-prima do produto. Já o leite deve aumentar devido ao período da estiagem, que compromete a qualidade das pastagens que servem de alimento para o gado leiteiro.
De acordo com Augustinho Valdemir Juliati, presidente do Sindicato dos Panificadores de Franca e Região, o reajuste no preço do pão francês deve ser colocado em prática nas padarias e supermercados do município a partir do dia 20 de outubro. “O aumento deve acontecer mais ou menos em torno desta data. Dependendo do estabelecimento, o reajuste pode ser de 8% a 12%, mas a média deve ficar nos 10%. Recomendamos para que cada um reveja melhor suas planilhas e não extrapole no reajuste”, explica.
Atualmente, o quilo do pão francês em Franca varia de R$ 5,98 a R$ 8,40. Com o aumento, o preço final do produto pode chegar até R$ 9,50. “O principal motivador do reajuste é a escassez na produção de trigo. No nosso caso, o que impulsiona o aumento é a farinha de trigo, que aumentou 35% nos últimos 90 dias”, afirma Juliati.
E a situação não ocorre somente no Brasil. A produção de trigo na Argentina e nos EUA caiu 20% este ano. A Rússia, que antes era um grande exportador do produto, agora importa o trigo para consumo próprio. “A lei da oferta e da procura está dominando. A situação é muito grave”, alerta o presidente.
A estiagem e a alta nos preços dos produtos que compõem a alimentação do gado leiteiro também vão obrigar o setor a fazer reajustes no leite. Júlio Zanetti, proprietário da Laticínios Zanetti, acredita que o reajuste mínimo será de 20%. “Isso será de imediato (aumento de 20%), já a partir da segunda quinzena de outubro. Vamos ver como o mercado vai reagir. O setor leiteiro está desestimulado. Muitos começaram a vender as matrizes.”
De acordo com Zanetti, o preço do farelo de soja, que faz parte da dieta do gado leiteiro, está muito elevado. Além disso, o grande período de estiagem deste ano prejudicou a pastagem, que também serve de alimento ao animal. “Apesar da chuva, o pasto não reagiu ainda e continua com o perfil da estiagem. Além disso, os preços (dos produtos) estão inviáveis. Como o produtor não consegue oferecer ao animal tudo o que ele precisa, a produção de leite também cai”, explica Zanetti. “É preciso lembrar também que o preço do leite estava muito baixo até então. A solução, neste momento, é praticar o reajuste”, completa.