09 de julho de 2026

Energias renováveis


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Agosto último foi considerado pela Organização Meteorológica Mundial o segundo mais quente do planeta Terra desde que começaram a registrar em 1880. A temperatura média de todo o planeta foi de 14,7ºC.

O pior resultado aconteceu em 1998. Enquanto os cientistas e os políticos sustentados pelas indústrias discutem se estamos vivendo ou não o aquecimento global, o povo vai vivendo sua vidinha ignorando o problema. Alguns meios de comunicação têm promovido esse debate.

Uma grande dificuldade que se aponta é que quase todas as cidades importantes do mundo localizam-se entre os trópicos e terão cerca de um bilhão de novos consumidores até 2025.

Com as temperaturas subindo, mais se vai usar ar-condicionado. Os aparelhos de ar-condicionado necessitam de muita eletricidade. E são necessários já que há estudos que mostram que a saúde e a produtividade aumentam quando a temperatura interna é resfriada, como pesquisa da Universidade Waseda, em Tóquio.


O estudo aponta que a cada grau a mais de temperatura acima de 25º gera queda de 2% na produtividade. Em um dia isso significa 30 minutos a menos de trabalho.

Calor acima de 28º nos escritórios causa dor de cabeça, sonolência e dificuldade de concentração.

Cientistas observaram que quando os escritórios ficam acima de 28º muitos usam ventiladores, pouco eficientes, e o consumo de energia fica maior do que se o edifício fosse condicionado.

Em 2007, apenas 2% das residências da Índia tinham ar-condicionado e 11% no Brasil, enquanto que, nos Estados Unidos eram 87%, e lá o clima é temperado. Ocorreram muitos blecautes na Índia em julho deste ano, certamente causados pelo aumento no uso de ar-condicionado e resfriamento. No Brasil, quase nada está sendo feito.

Outro fato importante vem da África. Em Uganda, um inventor desenvolveu equipamento para transformar lixo vegetal em carvão orgânico, que além de substituir a lenha, gera renda para os agricultores, cria novos empregos com a venda e distribuição de carvão, e de fertilizante.

Isso protege as florestas locais, diminui a poluição produzida pela fumaça e dos problemas de saúde causados por inalação, que causam a morte de mais de 1,5 milhão de pessoas por ano. Em São Paulo desenvolve-se paletes de carvão feito com palha e bagaço de cana. Eu mesmo faço carvão com pão velho...

A Marinha dos Estados Unidos mostra que está fazendo sua parte. Colocou uma frota em manobras no Pacífico, navios de guerra operando com diesel de algas e gordura de galinha.

O problema ainda é o custo. Os combustíveis experimentais custam em em torno de US$ 7 por litro, enquanto que os convencionais ficam em US$ 1.

É importante que os estadistas cumpram sua função na elaboração de políticas que estimulem o uso e o desenvolvimento de melhores aparelhos de ar-condicionado, arquiteturas e engenhos que minimizem a temperatura interna e campanhas para os inconsequentes que desperdiçam ar frio.

Também, que estimulem o uso de biocombustíveis,. Se isso não for feito, a catástrofe será inevitável.

Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)