Estudo do Centro de Políticas Públicas do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), ligado à USP, trouxe informações interessantes a cerca da formação dos jovens brasileiros e das necessidades de nosso mercado de trabalho.
Partindo de um aparente paradoxo, essas informações mostraram que o salário real médio de quem tem ensino superior completo caiu de R$ 4.317 em 2000 para R$ 4.060 em 2010, enquanto que nesse mesmo período o país começava a enfrentar uma escassez de mão de obra qualificada.
As explicações para essa suposta contradição, entretanto, pode ser encontrada nos pormenores do estudo. De acordo com eles, os jovens brasileiros estão congestionando os caminhos das ciências humanas, o que consequentemente aumenta o número de profissionais ofertados nessas áreas. Na direção oposta, está faltando candidatos no caminho das exatas, justamente a área que mais demanda por profissionais qualificados atualmente.
Dentro desse contexto, os resultados não poderiam ser diferentes, pois de forma geral as regras do mercado são claras: o que é raro custa mais e o que é abundante custa menos. Como surgiram muitos profissionais em administração, comunicação ou marketing, por exemplo, logicamente os salários seguiram uma tendência para baixo. No outro extremo, profissões como engenharia civil e medicina experimentaram um aumento salarial bastante significativo, já que o país está sofrendo com a falta desses profissionais.
Apesar de bastante elucidativa, essa pesquisa nos traz algumas questões importantes. Por esses jovens estariam optando por áreas mais concorridas e menos valorizadas em termos financeiros se há escassez nas áreas tecnológicas? Os jovens não estariam percebendo essas diferenças? Essa preferência estaria ligada a uma questão cultural? Ou seria aquela aversão inexplicável pela matemática que se abate sobre boa parte de nossos jovens desde crianças?
Com certeza é bem difícil encontrar uma explicação para isso. Talvez seja uma mistura de todas essas possibilidades. Talvez não seja nenhuma delas e estejamos assistindo a uma mera coincidência. Mas o fato é que precisamos agir para entender o que está acontecendo. A falta de profissionais nas áreas de exatas e tecnológicas pode ser prejudicial para o país no médio prazo.
É preciso tentar descobrir o motivo que está afastando esses jovens das ciências exatas, sem nenhum desapreço às ciências humanas, apenas por uma questão de equilíbrio e logística, de pensar o país estrategicamente.
Partindo do pressuposto de que o gosto ou o ódio por matemática dificilmente poderia ser explicado pela genética, pela história ou pela sociologia, é bem provável que se isso estiver acontecendo talvez seja um problema de nossa escola e nosso processo de ensino. Sem querer atacar indevidamente os professores ou as escolas, que fique pelo menos a advertência, não apenas para esses agentes educacionais, mas também para toda a sociedade.
Analisando-se todo esse contexto, é certo que existe algo de errado. E precisamos descobrir.