Cartas anônimas postadas na agência dos Correios do Centro, em 16 de novembro de 2011, e endereçadas ao promotor Paulo Borges e ao Comércio deram início ao processo envolvendo o representante do Ministério Público e o juiz de Direito José Rodrigues Arimatéa. Elas continham acusações de nepotismo e pesadas críticas e ataques pessoais contra o magistrado. O Comércio ignorou a denúncias à época por falta de documentos e fontes que pudessem confirmar a autenticidade de seu teor. No dia seguinte à postagem, Borges instaurou procedimento administrativo e encaminhou cópia da carta para Arimatéa. No dia 21, o promotor também diz ter informado a Procuradoria Geral de Justiça sobre o caso.
O juiz abriu apuração interna para averiguar as imputações de nepotismo contra o seu diretor de serviços, Douglas Quintanilha, acusado de ter pressionado o próprio magistrado para que sua mulher, assistente social, fosse contratada para trabalhar sem concurso na Fundação Casa. Ao final do procedimento interno, Arimatéa afirma em sua sentença, do último dia 18 de janeiro, que a acusação contra Quintanilha era falsa e que a contratação foi legal.
Arimatéa também se dedicou a identificar quem fez a denúncia. Segundo ele, o promotor Paulo Borges foi o autor das denúncias anônimas. A constatação é resultado da análise da gravação das câmeras de segurança da agência dos Correios e também do depoimento de uma testemunha. Vídeos mostram que o promotor esteve na agência dos Correios no mesmo dia em que as cartas foram postadas. Lorelai Oliveira Telini Rosa, funcionária que respondia pelo atendimento do guichê 9 naquele dia, confirmou em depoimento formal à Justiça que a carta foi postada ali. “A carta (...) tem selo e carimbo e foi colocada no meu guichê”, afirma. O laudo pericial das imagens também indica que o promotor Paulo Borges esteve na agência segurando papéis, no mesmo guichê 9. E, aparentemente, posta duas correspondências, além de retirar documentos.
O promotor Paulo Borges nega todas as acusações. Ele disse que esteve nos Correios para tirar o CPF dos filhos. Sempre mostrou os comprovantes para atestar sua versão.