11 de julho de 2026

365 motos usadas por bandidos estão apreendidas em Franca


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Prefeitura usa leilões para liberar espaço no Pátio Modelo. Segundo delegado da Polícia Civil, lotes arrematados voltam para as ruas, o que é proibido

O pátio Modelo de Franca, para onde vão os veículos com problemas de documentação, multas ou usados para a prática de crimes, armazena 365 motos recolhidas pelas polícias Civil e Militar em operações contra o tráfico de drogas, roubos e furtos na cidade. A maioria delas é produto de furto ou adquiridas em leilões promovidos pela Prefeitura, segundo informações da Polícia Civil.

Entre os principais modelos estão as motos de menor custo - 125 e 150 cilindradas - usadas por criminosos para o tráfico de drogas e prática de outros crimes, como o roubo a postos de combustível e pequenos comércios de rua - farmácias e padarias, por exemplo.

Segundo dados do Infocrim (Sistema de Informações Criminais) colhidos entre janeiro e agosto deste ano, 75% dos roubos praticados na cidade foram feitos por indivíduos usando motocicletas.

Ao ser detido pela Polícia Militar, o suspeito é encaminhado para a delegacia, onde o delegado determina o que será feito com o veículo de porte do acusado. Em caso de motocicletas furtadas, o real proprietário é comunicado e retira o veículo na própria delegacia. “O sujeito não vai usar a moto dele (em seu nome) para fazer o roubo”, disse o delegado do 2º Distrito Policial de Franca, João Walter Tostes Garcia.

Segundo o secretário de Segurança e Cidadania de Franca, Sérgio Buranelli, as motos ficam no Pátio Modelo por tempo indeterminado, uma vez que fazem parte do processo criminal. Ele explica que o local tem capacidade para abrigar 3 mil veículos e que a Prefeitura realiza quatro leilões por ano para liberar espaço. Modelos apreendidos por falta de licenciamento ou irregularidades na documentação são maioria no pátio - representam 90% do total de apreensões.

LEILÕES
Os lotes leiloados pela Prefeitura são destinados a proprietários de desmanches ou produtores rurais, que adaptam as motocicletas para o trabalho no campo. Os veículos arrematados não podem rodar nas vias da cidade e rodovias. Mas alguns criminosos “contornam” a lei para pôr as mãos nesses veículos e usá-los para prática de ilícitos.

O delegado João Walter Tostes Garcia explicou que esses bandidos procuram as empresas que trabalham com sucata dizendo que precisam consertar suas motos. Na realidade, eles montam uma motocicleta totalmente ilegal, e trafegam pelas ruas da cidade impunemente. “É preciso pensar em uma forma de parar essa situação.”

De acordo com uma portaria do Detran (Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo), o chassis de motos leiloadas devem ser cortados para inutilizar seu uso.