Os hospitais públicos de Franca e região internaram 594 pessoas com quadro de AVC (Acidente Vascular Cerebral) no ano passado, um média de quase duas pessoas por dia, segundo um levantamento realizado pela Secretaria Estadual de Saúde. O índice representa um aumento de 8% em relação às 550 internações de 2010. Em todo o Estado, foram para o hospital 39 mil pessoas com AVC no ano passado.
Ainda de acordo com a pesquisa do Estado, na região de Franca, 334 pessoas morreram em decorrência de AVC em 2010. O órgão ainda não divulgou o número de mortes no ano passado.
Segundo o médico neurologista francano Alexandre Martori, o AVC é um mal de alta mortalidade, e, à menor suspeita, é preciso procurar o hospital imediatamente. “Existe um medicamento que dissolve o coágulo do sangue que possibilita a reversão do quadro do paciente com tipo isquêmico e evita sequelas, mas apenas se ele for levado ao hospital no máximo até quatro horas depois do AVC.”
Martori afirmou ainda que a única maneira de se prevenir a ocorrência dos acidentes vasculares é o controle dos fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, problemas cardíacos, sedentarismo e tabagismo. “Se você manter a diabetes ou a pressão controlada, não fumar e praticar exercícios físicos, é possível prevenir o AVC.”
Para aqueles que sobrevivem ao derrame e acabam ficando com sequelas, a única saída é a fisioterapia e, para aqueles com dificuldades na fala, sessões de fonoaudiologia. “Ao mesmo tempo, o controle dos fatores de risco tem que continuar, aliado ao uso dos medicamentos”, finaliza Martori.
O aposentado e proprietário rural Hylto Lourenso Dias, 77, é um desses sobreviventes. Ele sofreu um AVC há 18 anos, quando trabalhava em seu sítio em São José da Bela Vista. Ao ordenhar uma vaca, ele sentiu o braço esquerdo dormente e, logo depois, sentiu a mesma coisa na perna do mesmo lado. “Na mesma hora, falei para um funcionário da fazenda me levar para o hospital, porque estava tendo um derrame”, contou.
Dias já conhecia os sintomas de consultas médicas anteriores. Nas ocasiões, os profissionais o alertaram de que ele possuía um dos fatores de risco: a pressão alta. Ele conta ter sido atendido cerca de uma hora e meia após o AVC. Por isso, suas sequelas não foram muito graves: os seus membros esquerdos são ligeiramente rígidos, e ele afirma ter ficado “meio esquecido” após o acidente. “Mesmo assim, ainda sou independente”, declara.
O QUE É
O acidente vascular cerebral, conhecido como “derrame”, ocorre quando a circulação sanguínea do cérebro é comprometida por algum motivo. Existem dois tipos: o isquêmico, caracterizado pelo entupimento das artérias que levam sangue para o cérebro, e o hemorrágico, que ocorre quando os vasos sanguíneos ou artérias se rompem, causando um sangramento cerebral. Com a falta de circulação de sangue e oxigênio no cérebro, ocorre uma perda rápida de funções neurológicas.
O AVC isquêmico costuma acometer idosos, fumantes e pessoas diabéticas, com colesterol alto, hipertensão arterial e problemas vasculares. Já o hemorrágico pode ocorrer em pessoas mais jovens e tem evolução mais grave.
Os principais sintomas do mal são tontura, dor de cabeça, desorientação e confusão mental, visão limitada, fraqueza ou formigamento de um lado apenas do rosto ou do corpo, alterações na fala (a pessoa passa a pronunciar as palavras de forma errada), dificuldade de compreensão e de locomoção, assimetria facial (boca torta) e até o coma, se o AVC for de grande dimensão.