Se já não bastasse o drama das cirurgias eletivas, agora os francanos precisam lidar com a falta de leitos
A saúde parece não ter mesmo jeito em nossa cidade. Se já não bastassem os problemas de falta de recursos que têm castigado constantemente a Santa Casa de Franca, ameaçando a prestação dos serviços e criando uma enorme fila para as cirurgias eletivas, agora são os leitos que estão escasseando.
Três casos nessa última semana já começaram a levantar a suspeita de que talvez esses não tenham sido episódios isolados, como gostaríamos de acreditar. Notícia publicada por este Comércio, na sexta-feira, 21/09, mostrou uma senhora de 80 anos que ficou cerca de nove horas deitada em uma maca na recepção da ortopedia daquele hospital. De forma angustiante, ela e a família esperaram por um leito que pudesse garantir a cirurgia no fêmur que a idosa precisa fazer. Nesse mesmo dia, outra senhora, que precisou fazer uma cirurgia de emergência, ficou por mais de 24h na sala de recuperação, sem conseguir um quarto para ser internada.
No domingo, 23/09, o Comércio mostrou o sofrimento de uma garota de 14 anos. Com infecção de rim ela ficou por quase 8 horas numa maca hospitar na Santa Casa, e isso depois de passar outras 11 horas à espera de atendimento e diagnóstico no pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz”.
A Santa Casa, por meio de sua assessoria de imprensa, confirmou que nesses três casos o problema era a falta de leitos disponíveis. Lotado, o hospital não tinha como internar devidamente os pacientes e por isso foi obrigado a deixá-los em macas pelos corredores e outros espaços, apesar de todos terem sido, de acordo com o hospital, medicados, alimentados e constantemente monitorados por enfermeiros e funcionários.
A situação, obviamente, é bastante incômoda, para não dizer degradante. Fere os direitos do cidadão, angustia e preocupa toda a família e acaba por fim estressando também os funcionários do hospital, já que são eles que ficam entre as cobranças dos familiares e o constrangimento de não poder atendê-los.
Mas, para além desses problemas de estresse e constrangimentos, há nesses casos outro bem mais preocupante. Ao não conseguir internar os pacientes de forma digna, a saúde pública da cidade praticamente joga por terra o direito constitucional de acesso à saúde, que tem como um de seus princípios basilares a dignidade da pessoa humana, buscando superar as desigualdades e assegurar a justiça social.
Um discurso muito bonito, mas que infelizmente não se concretizou nesses episódios.
Em função disso, é preciso que o Ministério Público obrigue o Estado a cumprir as obrigações a que democraticamente se propôs. Se não há leitos suficientes, então que se criem outros. O impensável é ver situações como essas se repetirem a ponto de se tornarem rotina na Santa Casa da cidade.